
Ex-assessor acusa Moraes de manipular relatório para justificar operação contra empresários bolsonaristas
Tagliaferro afirma que documentos foram produzidos depois da ação policial e denuncia irregularidades no STF
Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, afirmou nesta terça-feira (2) que o gabinete do ministro teria manipulado relatórios para justificar uma operação da Polícia Federal contra empresários próximos a Bolsonaro em 2022.
A declaração foi feita durante sessão remota da Comissão de Segurança Pública do Senado, presidida por Flávio Bolsonaro (PL) e dominada por aliados do ex-presidente. Na mesma data, se iniciava a fase final do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, relatado por Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Tagliaferro atuou como chefe de gabinete na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022, quando Moraes estava à frente da Corte. Segundo ele, os relatórios que embasaram a operação contra empresários bolsonaristas foram produzidos após a ação da PF, e não antes, como registrado nos documentos oficiais. O ex-assessor apresentou prints de materiais produzidos por ele, incluindo mapas mentais sobre a investigação e o envolvimento dos empresários, alegando que foi orientado a criar esses documentos pelo juiz auxiliar Airton Vieira, sem que Moraes soubesse da delegação da tarefa.
“A busca e apreensão foi realizada em 23 de agosto, mas os relatórios que me pediram para elaborar são de 26, 27 e 28 de agosto. Isso mostra que os documentos foram feitos depois, numa tentativa de dar aparência de legalidade à operação”, explicou Tagliaferro.
Recentemente, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou Tagliaferro ao STF pelos crimes de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.