
Ex-juíza milionária vai ao STF reclamar de “falta de café” e expõe o abismo dos privilégios
Com salário de até R$ 113 mil, magistrada defende penduricalhos enquanto o país debate o fim dos supersalários no Judiciário
Ex-juíza que recebeu até R$ 113 mil em um único mês afirmou no STF que magistrados “não têm nem água nem café”. Declaração gerou revolta e reacendeu o debate sobre privilégios e penduricalhos no Judiciário.
A sessão do Supremo Tribunal Federal desta quarta-feira (26) virou palco de indignação pública após a fala da juíza aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT). Da tribuna, ela afirmou que juízes brasileiros “não têm água, não têm café” e que desembargadores “mal têm um lanche”.
A declaração, por si só, já soaria desconectada da realidade do país. Mas ganhou contornos ainda mais revoltantes quando se tornaram públicos os rendimentos da própria ex-magistrada.
Discurso de escassez, contracheque de abundância
Enquanto alegava precariedade no Judiciário, Cláudia Márcia recebeu R$ 113,8 mil apenas em dezembro de 2025, mais que o dobro do teto constitucional, hoje em torno de R$ 46,3 mil. Nos últimos três meses do ano, seus vencimentos somaram R$ 296 mil.
Ao longo de todo o ano de 2025, a ex-juíza não recebeu menos de R$ 40 mil em nenhum mês, desmontando completamente o argumento apresentado no STF de que magistrados viveriam com rendimentos líquidos de cerca de R$ 24 mil.
A discrepância entre o discurso dramático e os números reais escancarou aquilo que boa parte da sociedade já sente na pele: o distanciamento absoluto de parte do Judiciário da realidade do brasileiro comum.
Defesa dos penduricalhos e a blindagem dos privilégios
A ex-magistrada participou do julgamento que analisa decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, que suspenderam o pagamento de verbas indenizatórias não previstas em lei — os chamados penduricalhos, usados para inflar salários acima do teto constitucional.
Na tentativa de sensibilizar a Corte, Cláudia Márcia afirmou que juízes bancam do próprio bolso carro, combustível, plano de saúde e até o café do trabalho. A fala causou constrangimento e revolta, especialmente diante dos dados oficiais de remuneração.
STF reconhece distorção e chama sistema de “balbúrdia”
Durante o julgamento, ministros reconheceram a gravidade da situação. O presidente da Corte, Edson Fachin, classificou o tema dos supersalários como “tormentoso” e urgente. Já Gilmar Mendes foi ainda mais direto ao afirmar que o teto constitucional “virou piso”, chamando o cenário atual de verdadeira “balbúrdia”.
O julgamento deve ser retomado com os votos dos ministros. Caso a suspensão dos penduricalhos seja confirmada, tribunais e Ministérios Públicos de todo o país terão de revisar pagamentos que extrapolam o limite constitucional.
Indignação pública e silêncio da magistrada
Até o momento, Cláudia Márcia de Carvalho Soares não se manifestou sobre a repercussão negativa de sua fala. O contraste entre sua retórica de escassez e seus rendimentos milionários reforçou a percepção de que parte da elite do Judiciário vive em um país paralelo, protegido por auxílios, verbas extras e discursos desconectados da vida real.
Enquanto milhões de brasileiros lutam para pagar contas básicas, ouvir que quem recebe mais de R$ 100 mil por mês “não tem nem café” soa menos como argumento jurídico — e mais como deboche institucionalizado.
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