
Fabiano Contarato assume comando da CPI do Crime Organizado
Comissão vai investigar milícias e facções criminosas em todo o país; proposta foi articulada por Alessandro Vieira
(Brasília – 4 de novembro de 2025) — O Senado Federal deu início a mais uma frente de combate ao crime organizado. O senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito, nesta terça-feira (4), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que vai investigar o avanço de milícias e facções em diversas regiões do país.
A instalação da CPI é vista como um movimento estratégico do governo, após o episódio de desorganização na CPMI do INSS, e busca mostrar que o Palácio do Planalto aprendeu a jogar com mais precisão no tabuleiro do Congresso.
O pedido de criação da CPI partiu do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que também será uma das vozes centrais do colegiado. Segundo ele, a comissão é uma resposta à crescente presença de grupos armados infiltrados em estruturas políticas e econômicas.
“É hora de unir as instituições do Estado para enfrentar essas organizações que desafiam a autoridade pública e aterrorizam a população”, afirmou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em nota divulgada na semana passada.
🔎 120 dias para desvendar o submundo do crime
A CPI contará com 11 senadores titulares e 7 suplentes, e terá 120 dias para apurar como as facções se estruturam, se expandem e operam. O objetivo é entender o modus operandi dessas organizações e propor medidas concretas para fortalecer a legislação penal e o sistema de segurança pública.
Os parlamentares também deverão investigar a influência de milícias em territórios urbanos, o tráfico de armas e drogas, e possíveis conexões políticas.
Contarato, conhecido por seu perfil técnico e combativo, afirmou que pretende conduzir os trabalhos com “transparência, rigor e coragem”, destacando que o crime organizado “não pode mais se confundir com o Estado”.
A CPI do Crime Organizado nasce, portanto, sob o peso de uma promessa: romper o elo entre poder e violência — uma tarefa que, no Brasil, tem sido tão urgente quanto perigosa.