
đš Quando a hipocrisia grita mais alto: manifestantes pedem o fim da polĂcia e recorrem a ela no primeiro sinal de perigo
Ato em SĂŁo Paulo contra megaoperação no Rio revela o paradoxo de uma esquerda que condena a segurança pĂșblica, mas clama por ela quando o caos se aproxima
SĂŁo Paulo â A Avenida Paulista foi palco, mais uma vez, de uma cena que mistura indignação seletiva e contradição. Na noite desta sexta-feira (31), milhares de manifestantes se reuniram em frente ao MASP para protestar contra a megaoperação policial nos complexos da Penha e do AlemĂŁo, no Rio de Janeiro â uma ação que resultou em 121 mortos, incluindo quatro policiais.
O ato, batizado de âChamada geral contra a morteâ, foi organizado por mais de 120 entidades ligadas a movimentos negros e de direitos humanos. Entre faixas e gritos de ordem, houve quem pedisse o fim da PolĂcia Militar â a mesma instituição que, paradoxalmente, garantia a segurança do prĂłprio protesto.
A Secretaria de Segurança PĂșblica de SĂŁo Paulo confirmou que a PM acompanhou toda a manifestação, que ocupou duas faixas da avenida, justamente para impedir o caos e proteger os prĂłprios manifestantes. Ă o retrato fiel de um Brasil que parece flertar com a prĂłpria desordem: grupos que demonizam a polĂcia, mas recorrem a ela no primeiro sinal de confusĂŁo.
No Rio, onde tudo começou, moradores dos complexos da Penha e do AlemĂŁo tambĂ©m se reuniram em protesto. A operação â classificada pelo governador ClĂĄudio Castro (PL) como um âsucessoâ no combate ao crime â teve como alvo lideranças do Comando Vermelho, mas virou munição polĂtica para setores que preferem defender o discurso ideolĂłgico em vez de reconhecer o enfrentamento ao trĂĄfico.
Enquanto os manifestantes falavam em âpolĂtica de extermĂnioâ, o que se via era um Estado tentando retomar territĂłrios tomados por facçÔes, onde quem dita as regras sĂŁo criminosos fortemente armados, nĂŁo o poder pĂșblico.
O paradoxo Ă© evidente: pedem o fim da polĂcia, mas nĂŁo sobrevivem um dia sem ela. E, no fim das contas, quem paga o preço por essa confusĂŁo moral Ă© o cidadĂŁo comum â aquele que sĂł quer viver em paz, sem precisar escolher entre o medo e a demagogia.