
Flávio Bolsonaro chama julgamento do pai de “farsa” e acusa Moraes de “vingança pessoal”
Após o STF manter a condenação de Jair Bolsonaro, o senador afirmou que o ex-presidente é vítima de perseguição e que sua prisão seria “um ato cruel travestido de justiça”.
O clima em Brasília voltou a ferver. Poucas horas depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar, por unanimidade, o recurso da defesa de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rompeu o silêncio com duras palavras.
Chamou o julgamento de “farsa” e acusou o ministro Alexandre de Moraes de agir por vingança pessoal, movido não pela lei, mas por ódio.
“É uma farsa em que o resultado já estava decidido antes mesmo de começar. Não por provas, mas por quem está julgando”, disse Flávio, em tom de indignação.
A decisão do STF manteve a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão ao ex-presidente. Mesmo sem surpresa com o veredito, o senador afirmou esperar “bom senso” na execução da pena.
“Já que ele foi condenado sem ter feito absolutamente nada de errado, o mínimo que se espera é que fique em casa. É o mínimo de humanidade”, declarou.
“Vingança pessoal e insana”
Flávio foi além. Disse que Moraes estaria usando o poder judicial para ajustar contas pessoais com seu pai — um comportamento que, segundo ele, fere a própria democracia.
“Trata-se de uma vingança pessoal e insana, sem justificativa alguma. Se fosse com Michel Temer, ele jamais faria isso. Todos sabem que Bolsonaro precisa de cuidados médicos constantes, e o ditador também sabe. Então só posso concluir que ele quer ver meu pai morrer”, afirmou, em tom de repúdio.
O senador também classificou o julgamento como o “sepultamento da democracia”, acusando o STF de transformar a Justiça em instrumento político.
“Condenar o maior líder da direita num processo ilegal, em que as provas apontam inocência, é enterrar de vez a democracia. Mas não vão calar Bolsonaro nunca”, completou.
Um julgamento já marcado
O recurso negado pelo STF incluía também outros nomes ligados ao antigo governo, como Braga Netto, Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Alexandre Ramagem — todos apontados como parte de um suposto plano de golpe.
Apenas Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e delator, decidiu não recorrer.
Enquanto o Supremo manteve o silêncio institucional, as palavras de Flávio ecoaram como um desabafo de filho — mas também como uma denúncia contra o que muitos veem como um poder que já não presta contas a ninguém.