Desfile de 9 de Julho vira vitrine de segurança para Tarcísio e aliados em São Paulo

Desfile de 9 de Julho vira vitrine de segurança para Tarcísio e aliados em São Paulo

Governador, prefeito e secretários usam solenidade da Revolução Constitucionalista como palco político, com viaturas, fuzis e discursos de resistência. Episódio ocorre em meio a pressão por indulto a Bolsonaro e caso de jovem morto por PM.

O feriado de 9 de Julho, marcado pelo aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, foi mais uma vez transformado em palanque político pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP). A tradicional cerimônia cívico-militar, realizada nas proximidades do Parque Ibirapuera, serviu como vitrine para o aparato policial e um reforço simbólico à imagem de autoridade do grupo.

Viaturas, jipes antigos, cavalos da PM, jet skis em reboques e até fuzis em punho tomaram o curto trajeto do desfile, em contraste com a presença mais discreta dos representantes das Forças Armadas — que compareceram a pé e desarmados. O evento também contou com a participação de escoteiros, projetos de educação militarizada e seguidores da doutrina “Universo em Desencanto”, famosa pela adesão do cantor Tim Maia nos anos 70.

A homenagem central se concentrou diante do Obelisco do Ibirapuera, onde repousam os restos dos quatro jovens mártires da Revolução — Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, conhecidos como MMDC. Este ano, as cinzas de mais seis combatentes também foram depositadas no mausoléu com direito a marcha fúnebre e tiros cerimoniais.

Tarcísio aproveitou o momento para distribuir medalhas, acenar ao público e gravar vídeos para as redes sociais. Evitou, no entanto, conversar com a imprensa, cercado por sua equipe e seguranças. O governador tem sido pressionado a declarar publicamente se concederia perdão a Jair Bolsonaro (PL) em caso de vitória presidencial em 2026. Bolsonaro, seu padrinho político, é réu no STF acusado de tentativa de golpe.

Em sua fala nas redes, Tarcísio exaltou a luta paulista de 1932 como um símbolo de resistência à imposição. “São Paulo não aceitou decretos e não se calou. É sobre valores inegociáveis”, afirmou, comparando de forma indireta sua gestão com a do presidente Lula (PT): “Enquanto dizem que o Brasil não tem plano, São Paulo tem.”

Além dos protagonistas, estiveram presentes na tribuna de honra o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), e o secretário estadual de Governo, Gilberto Kassab (PSD), ambos possíveis pré-candidatos ao governo caso Tarcísio não dispute a reeleição. Kassab, no entanto, preferiu não ocupar posição de destaque e ficou na segunda fila.

O desfile ocorreu poucos dias após mais um episódio polêmico envolvendo a polícia paulista: um jovem de 26 anos foi morto por engano por um PM na Zona Sul da capital — mais um caso que coloca pressão sobre a gestão da segurança pública no estado.

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