
Flávio Bolsonaro escolhe ex-advogada de Lula para comandar jurídico da campanha presidencial
Maria Claudia Bucchianeri, que já defendeu Lula no TSE, assume estratégia eleitoral de Flávio para 2026
Em um movimento que mistura pragmatismo político e reviravolta nos bastidores de Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) definiu a equipe jurídica que conduzirá sua campanha à Presidência da República em 2026. O principal nome escolhido é o da ex-ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Maria Claudia Bucchianeri — advogada que, em 2018, atuou na defesa da elegibilidade de Lula.
A escolha surpreende pelo histórico: Bucchianeri integrou a equipe que tentou manter Lula na disputa presidencial mesmo quando ele estava preso em Curitiba, após condenação na Operação Lava Jato. Naquele ano, a candidatura acabou barrada, e Fernando Haddad assumiu a cabeça de chapa pelo PT.
Campanha promete profissionalização
Ao apresentar o time jurídico à bancada do PL, Flávio afirmou que pretende conduzir uma campanha “profissional”, evitando improvisos como os registrados em 2018, quando seu pai, Jair Bolsonaro, venceu a eleição presidencial.
Além de Bucchianeri, a coordenação jurídica terá participação do advogado Tracy Reinaldet, especialista em direito penal eleitoral. Ele ficará responsável por centralizar demandas, orientar diretórios estaduais e estruturar respostas rápidas a ataques de adversários.
Reinaldet ganhou notoriedade nacional ao atuar em acordos de delação premiada na Lava Jato, incluindo casos como os do doleiro Alberto Youssef e do ex-ministro Antonio Palocci.
Relações cruzadas na política
A trajetória de Maria Claudia também inclui atuação como ministra substituta no TSE entre 2021 e 2023. Apesar de ter defendido Lula na Justiça Eleitoral, ela foi indicada à Corte durante o governo Bolsonaro, em articulação política que envolveu o então presidente da Câmara, Arthur Lira.
Na época, disputas internas no tribunal envolveram o nome do ministro do STF Alexandre de Moraes, figura frequentemente criticada por aliados do bolsonarismo.
O episódio evidencia como alianças e antagonismos na política brasileira nem sempre seguem linhas rígidas — e como o campo jurídico-eleitoral costuma operar em múltiplas frentes.
Primeiras ações já protocoladas
A nova equipe já começou a atuar. Flávio ingressou na Justiça Eleitoral com pedido antecipado de produção de provas para embasar uma futura ação de inelegibilidade contra Lula, relacionada a um desfile de escola de samba que homenageou o presidente. A ação principal só poderá ser apresentada oficialmente após o registro de candidatura, previsto para agosto.
Em outra frente, Reinaldet obteve decisões favoráveis em processos por danos morais, incluindo a retirada de postagens que associavam o senador a irregularidades no chamado caso Banco Master — acusações que ele classifica como falsas.
Estratégia ampliada para 2026
Desde a semana passada, Flávio também anunciou nomes para coordenar áreas estratégicas da campanha. No estado de São Paulo, por exemplo, o governador Tarcísio de Freitas foi indicado para liderar a articulação política local.
A montagem antecipada da estrutura jurídica demonstra que a disputa de 2026 já começou nos bastidores. Ao escolher uma advogada com experiência no TSE e histórico de atuação em campanhas de peso — inclusive de adversários — Flávio sinaliza que pretende enfrentar o processo eleitoral com forte blindagem técnica.
Na política, alianças improváveis nem sempre significam mudança de convicções. Às vezes, revelam apenas que, na corrida pelo poder, competência pesa mais do que rótulos passados.
Memória quase cheia
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