Flávio Bolsonaro promete “guerra” contra narcoterroristas e dá prazo até dezembro para criminosos deixarem o Brasil

Flávio Bolsonaro promete “guerra” contra narcoterroristas e dá prazo até dezembro para criminosos deixarem o Brasil

Candidato do PL participou do lançamento da candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio, no Maracanãzinho, e endureceu o discurso sobre segurança pública; Flávio também defendeu classificar PCC e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou a segurança pública no eixo central de seu discurso durante o lançamento da candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro, realizado neste sábado (22), no Maracanãzinho. Em tom de confronto direto com as organizações criminosas, o candidato à Presidência afirmou que pretende declarar “guerra” aos chamados narcoterroristas caso seja eleito e estabeleceu, em sua fala, um prazo até dezembro para que integrantes dessas organizações deixem o país.

“Eu não vou baixar a cabeça para bandido”, afirmou Flávio diante dos apoiadores. Em seguida, dirigiu-se diretamente aos criminosos: “marginais, narcoterroristas, vocês têm até dezembro desse ano para meter o pé do Brasil”. Segundo ele, a partir de janeiro de 2027 começaria uma nova política de enfrentamento ao crime organizado.

A proposta apresentada pelo candidato inclui a classificação de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na categoria de grupos narcoterroristas. A medida, segundo relatos sobre o discurso, consta do plano de governo apresentado por Flávio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Discurso de confronto

Flávio afirmou que, a partir de um eventual governo do PL, o Estado adotaria uma postura mais agressiva contra as organizações criminosas. Em outra passagem do discurso, declarou que criminosos seriam retirados de circulação “em pé ou deitados”, frase que repercutiu entre veículos de imprensa e passou a simbolizar o endurecimento de sua retórica eleitoral sobre segurança.

O candidato também criticou a situação da segurança pública no Rio de Janeiro e atacou adversários políticos. O discurso ocorreu no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou um ato de campanha em Bangu, também no Rio, apresentando uma abordagem diferente para o combate à criminalidade.

Enquanto Lula defendeu uma estratégia que combina atuação policial com investimentos sociais e institucionais, Flávio concentrou sua fala no endurecimento das penas, no enfrentamento direto às facções e na ampliação dos instrumentos de repressão ao crime organizado.

Crianças, drones e explosivos

Outro trecho que chamou atenção foi a referência feita por Flávio ao uso de crianças pelo crime organizado. O senador afirmou que, atualmente, menores estariam sendo aliciados para operar drones capazes de transportar explosivos.

“Eu soltava pipa quando criança. Hoje estão sendo criadas e treinadas para usar drones com bomba”, declarou. A fala foi utilizada pelo candidato para ilustrar o que considera uma transformação do padrão de atuação das organizações criminosas.

Flávio também mencionou a possibilidade de ampliar punições para determinados crimes. Entre as propostas apresentadas durante o ato estão o aumento da pena para roubo de telefone celular, medidas mais severas contra crimes sexuais e a defesa de castração química para condenados por determinados crimes sexuais.

Colete à prova de balas e ameaças

O candidato também utilizou o evento para falar sobre sua própria segurança durante a campanha. Flávio afirmou que não é simples fazer campanha utilizando carro blindado e colete à prova de balas e declarou ser alvo de mais de duas mil ameaças de morte.

A declaração reforçou a estratégia de apresentar sua candidatura como uma alternativa de enfrentamento ao crime organizado e de associar sua imagem eleitoral à agenda de segurança pública.

Douglas Ruas no centro do ato

O evento no Maracanãzinho marcou oficialmente o lançamento da candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio de Janeiro. Flávio participou do ato como principal liderança nacional do PL e aproveitou o palanque para apresentar parte de sua agenda presidencial.

O encontro ocorreu em um momento de forte disputa eleitoral no Rio. No mesmo período, Lula fazia campanha em Bangu, acompanhado por aliados e defendendo uma proposta diferente para enfrentar a crise de segurança do estado.

A coincidência dos dois atos deu ao sábado uma dimensão nacional: de um lado, Lula tentando apresentar uma política de segurança associada ao fortalecimento institucional e a investimentos sociais; de outro, Flávio Bolsonaro explorando uma linguagem de confronto, com promessas de guerra às facções, penas mais duras e classificação do crime organizado como narcoterrorismo.

Ausências e mensagem política

Jair Bolsonaro não participou presencialmente do ato. Segundo relatos da cobertura eleitoral, o ex-presidente está em prisão domiciliar. Michelle Bolsonaro também não esteve no evento. Ainda assim, o discurso de Flávio manteve forte associação com a identidade política construída pelo bolsonarismo em torno da segurança pública, do combate ao crime e do endurecimento das leis.

O candidato também pediu apoio eleitoral para parlamentares do PL, vinculando a eleição de uma bancada de seu partido à possibilidade de aprovar propostas defendidas pelo grupo, entre elas a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Uma campanha cada vez mais marcada pela segurança

O ato do Maracanãzinho revela uma escolha clara da campanha de Flávio: transformar a segurança pública em uma das principais vitrines de sua candidatura presidencial.

A promessa de que os criminosos teriam até dezembro para “meter o pé” do país funciona, politicamente, como uma mensagem de ruptura com as políticas de segurança que o candidato critica. Ao anunciar uma “guerra” a partir de janeiro, Flávio procura estabelecer uma imagem de candidato disposto a adotar medidas mais duras contra as facções.

Ao mesmo tempo, as declarações colocam no centro da campanha um debate sobre quais seriam os limites legais, institucionais e operacionais de uma política de combate ao crime organizado baseada na classificação de facções como grupos narcoterroristas.

O discurso, portanto, não ficou restrito ao palanque do Maracanãzinho. Ele passou a integrar a disputa nacional entre Flávio Bolsonaro e Lula justamente em uma área considerada decisiva para o eleitorado: a segurança pública.

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