
França em pé de guerra: cortes no orçamento provocam revolta nas ruas
Professores, maquinistas e estudantes travam o país enquanto o governo insiste em apertar o cinto — mas para quem realmente precisa pagar
Na França, o governo decidiu que austeridade é mais importante que o bem-estar da população, e o país respondeu à altura. Nesta quinta-feira (18), professores, farmacêuticos, maquinistas de trem, funcionários de hospitais e até adolescentes bloquearam escolas e vias públicas, numa verdadeira demonstração de que quem trabalha não aceita cortes enquanto os poderosos dormem tranquilos.
Mais de 250 manifestações tomaram as ruas, paralisando setores de saúde, educação, transporte e serviços públicos. Em Paris, o metrô quase não funcionou, com linhas suspensas durante grande parte do dia, e trens regionais ficaram parados. O Ministério do Interior contabilizou até 800 mil pessoas nas ruas, vigiadas por 80 mil policiais, incluindo tropas de choque, drones e veículos blindados — porque não basta cortar serviços, é preciso mostrar força.
O mote dos protestos é simples e direto: mais investimento em serviços públicos, impostos maiores para os super-ricos e fim da exigência de trabalhar mais anos para se aposentar. Menos de duas semanas após a posse do novo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, a população já deixa claro que não aceita mais experimentos com seu bolso.
Enquanto isso, Lecornu tenta manter a compostura política, pedindo diálogo e tentando ganhar apoio da oposição socialista. Mas a pressão é enorme: sindicatos afirmam que “o orçamento será decidido nas ruas”, e pesquisas mostram que 86% dos franceses apoiam a chamada “taxa Zucman”, uma tributação de 2% sobre fortunas acima de 100 milhões de euros — ou seja, apenas 0,01% da população mais rica.
O cenário é irônico: Macron e seus aliados de direita falam em “competitividade” e “atratividade econômica”, enquanto os franceses comuns sofrem com cortes sociais e benefícios eliminados. A população exige justiça fiscal, e os protestos mostram que, no jogo do orçamento, quem manda é quem realmente sente o aperto no dia a dia — e não quem faz pose no palácio.