Fraude sobre fraude: aposentados caem em nova armadilha com falsos documentos no INSS

Fraude sobre fraude: aposentados caem em nova armadilha com falsos documentos no INSS

Associações investigadas por descontos indevidos agora tentam “validar” a cobrança usando dados falsificados das próprias vítimas. Casos revoltantes mostram mistura de nomes, CPFs trocados e respostas fraudulentas a processos de contestação.

Aposentados e pensionistas que descobriram descontos indevidos em seus benefícios do INSS estão enfrentando uma verdadeira maratona de abusos e burocracia. Quando finalmente achavam que iriam ser ressarcidos, deram de cara com mais uma camada de golpe — agora com documentos falsos sendo usados pelas próprias associações investigadas para tentar “provar” que eles autorizaram os descontos.

É o que viveu a mãe da advogada Ana Luiza Moura. Ela percebeu os descontos ainda em 2023, antes de o escândalo virar notícia. Os valores estavam sendo retirados mensalmente por uma entidade chamada Ambec (Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos). A família tentou cancelar o vínculo, mas deu de cara com divergências no cadastro.

Mais recentemente, ao seguir o procedimento do INSS para contestar o desconto, veio a surpresa: a associação apresentou um documento com o CPF da mãe de Ana, mas com o nome de outra pessoa — uma tal de “Joana” (nome fictício). Além disso, juntaram um áudio de alguém se identificando como Joana e falando outro CPF, como se fosse uma autorização para os descontos.

Ou seja, misturaram dados reais com falsos — uma nova fraude dentro da fraude. Isso tem dificultado ainda mais o processo para que os idosos consigam reaver o que foi descontado indevidamente.

O sogro de Ana também passou por situação parecida. Ele recebeu um documento com seu CPF, mas em nome de “Luiz”, outro nome fictício. No áudio, novamente, o CPF citado era diferente. E o valor descontado? R$ 45 por mês — um peso no bolso para quem vive com cerca de R$ 3 mil mensais, como a mãe e o sogro da advogada.

Indignada, Ana desabafa:
— Já não bastava o golpe inicial, agora estão falsificando documentos e dificultando ainda mais a devolução do dinheiro. É um absurdo!

O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou que, nesses casos, a palavra do aposentado prevalecerá. Em uma live, reforçou:
— O nosso lado é o do aposentado. A palavra dele tem mais valor.

Segundo ele, já há mais de 3,2 milhões de processos abertos por aposentados e pensionistas que denunciam esse tipo de desconto irregular.

E o que fazer se receber resposta da associação?

Após a contestação, as associações têm 15 dias úteis para responder. Se disserem que têm documentos ou que existe ação judicial, o aposentado tem que se manifestar — ou seja, dizer se concorda ou não com a resposta.

Essa manifestação deve ser feita em até 30 dias corridos após o recebimento da resposta. Pode ser enviada pelo app Meu INSS ou presencialmente nas agências dos Correios.

Importante: não é possível fazer isso pelo telefone 135. E, apesar de não ser obrigatório anexar documentos, o sistema orienta conforme o caso.

Até o momento, a Ambec — citada nos casos — não se manifestou sobre as denúncias.

Enquanto isso, famílias como a de Ana seguem na luta para fazer valer seus direitos e colocar um ponto final nessa sequência de absurdos.

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