Galípolo endurece tom no Senado e diz que Banco Central “não reage a pressão” no caso Master

Galípolo endurece tom no Senado e diz que Banco Central “não reage a pressão” no caso Master

Presidente do BC rebate críticas no Congresso e defende atuação técnica na crise envolvendo o Banco Master

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19), em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que a instituição “não tem que reagir a pressão” ao ser questionado sobre a condução do caso envolvendo o Banco Master.

Em um dos momentos mais tensos da sessão, o chefe da autoridade monetária elevou o tom ao defender que o BC deve atuar exclusivamente com base em critérios técnicos, sem responder a pressões políticas ou parlamentares.

Tensão com o Senado marca audiência sobre o caso Master

A audiência, conduzida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), foi marcada por embates diretos entre parlamentares e o presidente do Banco Central.

Renan questionou decisões e comunicações do BC relacionadas à crise do Banco Master e levantou suspeitas sobre eventuais articulações envolvendo a instituição financeira, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e tentativas de venda do banco ao Banco de Brasília (BRB).

O senador citou documentos e ofícios do próprio Banco Central para cobrar explicações sobre medidas adotadas durante a crise de liquidez da instituição comandada por Daniel Vorcaro.

Galípolo nega interferência e diz que BC agiu de forma técnica

Em resposta, Galípolo negou qualquer atuação política ou tentativa de facilitar operações envolvendo o Banco Master.

“A informação está errada. O Banco Central jamais tentou viabilizar a venda do banco”, afirmou.

Segundo ele, a atuação do BC se limitou a análises técnicas sobre a viabilidade das operações, incluindo a avaliação da capacidade do banco de honrar compromissos em meio à crise.

O presidente do BC reforçou ainda que a decisão de barrar operações de aquisição foi tomada com base em critérios de risco e estabilidade do sistema financeiro.

“Banco Central não é palanque político”, diz presidente da autoridade monetária

Em outro momento da audiência, Galípolo criticou o que chamou de tentativa de transformar o Banco Central em espaço de disputa política.

“O Banco Central não tem que pegar a televisão, gravar Instagram ou TikTok. Não é palanque”, declarou.

Ele afirmou que a instituição deve manter independência e evitar respostas públicas a pressões externas, mesmo em cenários de forte desgaste político.

Caso Master e investigações em andamento

O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, está no centro de investigações que envolvem suspeitas de irregularidades em operações financeiras e possíveis fraudes bilionárias.

Entre os pontos sob análise estão:

  • Venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB)
  • Operações com potencial impacto em fundos garantidores
  • Tentativas de captação emergencial de recursos no mercado
  • Movimentações financeiras consideradas atípicas por órgãos reguladores

A Polícia Federal também acompanha o caso, que ainda está em fase de apuração.

Banco Central e risco ao sistema financeiro

Durante a audiência, Galípolo reiterou que o Banco Master não representava risco sistêmico relevante ao sistema financeiro brasileiro, por ter participação inferior a 0,5% do mercado bancário.

Segundo ele, a preocupação do BC estava concentrada na qualidade das operações e na forma como os recursos estavam sendo administrados, e não em um risco de colapso generalizado do sistema bancário.

Debate sobre autonomia do Banco Central

O presidente do BC também aproveitou a sessão para reforçar a defesa da autonomia institucional da autoridade monetária.

Ele voltou a apoiar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que amplia a independência administrativa, financeira e orçamentária do Banco Central, atualmente em discussão no Senado.

Para Galípolo, a falta de autonomia plena pode limitar a capacidade de fiscalização e modernização da instituição.

Economia segue sob pressão, diz BC

Além do caso Master, Galípolo comentou o cenário econômico brasileiro e afirmou que a economia segue aquecida, com desemprego baixo e renda em crescimento, o que mantém pressão sobre a inflação.

Ele destacou que, mesmo com juros elevados, a atividade econômica mostra resiliência, o que exige manutenção de uma política monetária restritiva.

Conclusão

A audiência no Senado expôs um momento de forte tensão entre o Banco Central e o Congresso, com o caso Banco Master no centro das discussões. Ao mesmo tempo em que defendeu a atuação técnica da instituição, Gabriel Galípolo reforçou que o BC não deve responder a pressões políticas, mas sim a critérios de estabilidade financeira e regulação do sistema bancário.

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