
General pede a Moraes que militares condenados não sejam algemados
Em meio às sentenças da trama golpista, comandante do Exército tenta evitar imagens de oficiais sendo levados com as mãos presas
A crise provocada pela chamada trama golpista continua produzindo cenas e bastidores dignos de um romance político — mas dos mais tensos. No centro da história, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, decidiu conversar diretamente com Alexandre de Moraes para fazer um pedido delicado: que os militares condenados não sejam algemados no momento da prisão.
O encontro aconteceu de forma reservada, na casa do próprio comandante, no Setor Militar Urbano, na última segunda-feira (17). Lá estavam ele, o ministro da Defesa, José Múcio, e Moraes. Segundo informações reveladas pelo UOL, foi durante essa conversa que Paiva insistiu na preservação da “dignidade” dos oficiais que serão presos.
O cenário é tenso: só nesta terça-feira (18), o STF condenou nove integrantes dos chamados “kids pretos”, acusados de formar um grupo clandestino para tramar assassinatos de autoridades — entre elas Lula e Alckmin. Oito desses nove são militares de alta patente.
E isso é apenas parte da rede. No “núcleo crucial” da conspiração, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro foi sentenciado a 27 anos e três meses de prisão, outros nomes de peso das Forças Armadas também caíram: o ex-comandante do Exército e ex-ministro Paulo Sérgio, e o ex-chefe do GSI, general Augusto Heleno.
Com o STF publicando o acórdão que rejeita os primeiros recursos de Bolsonaro, Moraes agora tem caminho aberto para determinar, já na próxima semana, o início do cumprimento da pena do ex-presidente — o que aumenta ainda mais a temperatura política e militar.
Observação final:
No meio de uma crise que expôs a face mais sombria da política recente, o pedido de Tomás Paiva soa quase como um detalhe — mas revela o desconforto das Forças Armadas diante da imagem de seus oficiais sendo conduzidos como qualquer outro condenado. A cena das algemas, mais do que um gesto técnico, carrega um simbolismo que a caserna parece determinada a evitar.