
Glauber Braga transforma a Câmara em arena pessoal e acusa “silenciamento” após ser retirado à força
Parlamentar do PSOL, prestes a enfrentar votação de cassação, invade cadeira da presidência, gera tumulto, paralisa a sessão e ainda se coloca como vítima.
O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) voltou a criar tumulto na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9/12). Após ocupar a cadeira do presidente da Casa, Hugo Motta, por cerca de uma hora — como se pudesse tomar o posto no grito —, ele acabou retirado à força pela Polícia Legislativa. Em vez de reconhecer o absurdo da própria atitude, Glauber preferiu dizer que está sendo alvo de uma “tentativa de silenciamento”.
Com o paletó rasgado no meio da confusão, ele ainda tentou se justificar afirmando que só queria ser tratado “com 1% da boa vontade” que, segundo ele, teria sido dada a outros grupos que ocuparam a mesa no passado. Para Glauber, ocupar a cadeira da presidência, desrespeitar o regimento e interromper o funcionamento da Casa seria apenas um “ato de resistência”.
O problema é que esse tipo de comportamento já virou rotina. Glauber é réu em um processo de cassação por quebra de decoro, acusado de empurrar e chutar um integrante do MBL durante um protesto no Congresso. Em abril, chegou até a fazer greve de fome para tentar pressionar o andamento do processo. Agora, instala um novo caos e ainda tenta posar de vítima.
Depois de ser retirado da mesa, o deputado seguiu para o serviço médico. A sessão da Câmara foi interrompida, o plenário esvaziado, a imprensa retirada à força e a TV Câmara teve o sinal cortado, como se tudo tivesse virado um barril de pólvora. Não à toa — foi exatamente isso que o comportamento de Glauber produziu.
Alinhados ao parlamentar, poucos tentaram defendê-lo. Chico Alencar, seu colega de partido, disse apenas que “há muita indignação”. Indignação pode haver, mas isso não dá a ninguém o direito de transformar o Parlamento em uma espécie de palco de bravatas.
Glauber insistiu que ficaria “até o limite de suas forças” sentado na cadeira que não lhe pertence. Não ficou. E não por escolha própria.
Enquanto isso, a Câmara se prepara para votar não só sua cassação, mas também as de Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro — todos por motivos diversos, alguns mais graves, outros mais vergonhosos. Mas, entre todos, é Glauber quem mais insiste em tratar a instituição como se fosse cenário de protesto pessoal, ignorando regras, limites e o respeito que o cargo exige.
Ao fim do dia, fica claro que o deputado tenta transformar sua sucessão de descontrole em narrativa de perseguição. Mas os fatos falam mais alto: não é silenciamento — é consequência.