
Gleisi dá aula de soberania… mas esquece o rombo no INSS
Enquanto condena Trump por defender Bolsonaro e prega independência do Brasil, ministra segue com a memória seletiva: crítica feroz à direita, silêncio ensurdecedor sobre o escândalo dos beneficiários fantasmas.
Brasília, 07 de julho de 2025 – A ministra Gleisi Hoffmann, aquela que nunca perde a chance de bater em Bolsonaro (e em qualquer coisa que venha dos EUA, de preferência com sotaque texano), resolveu puxar as orelhas do presidente americano Donald Trump. Tudo porque o ex-astro de reality show e atual presidente dos EUA teve a ousadia de sair em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que o Brasil estaria promovendo uma “caça às bruxas” contra ele.
Gleisi, no alto da sua autoridade moral seletiva, foi direta: Trump está “equivocado” e deveria cuidar da própria bagunça americana. Disse ainda que o Brasil de hoje não é mais “subserviente” — subserviente mesmo, segundo ela, era o país nos tempos de Bolsonaro, que “batia continência para bandeira estrangeira”.
Bonito discurso. Quase poético. Só faltou lembrar que enquanto ela fala em soberania, o INSS sofre com mais de R$ 11 bilhões em fraudes descobertas pelo próprio governo, com milhares de benefícios sendo pagos a mortos, golpistas e até presos foragidos. E adivinha quem está no centro político dessa máquina pública? Pois é. Mas aí o tom já muda, né?
Gleisi também disse que Bolsonaro “responde pelos crimes que cometeu contra a democracia” e que Trump não tem nada que se meter no Judiciário brasileiro — o mesmo Judiciário que, curiosamente, nunca se interessou muito em investigar os malabarismos contábeis, licitações turvas e o uso eleitoral da máquina pública que alimenta o partido da própria ministra.
Trump, por sua vez, ignorou solenemente os recados e publicou que Bolsonaro é “inocente”, um “líder forte” que “lutou pelo povo” e que está sendo vítima de perseguição. Até comparou a situação com a sua própria. Uma espécie de “irmandade das vítimas do sistema”, versão populista-global.
Lula também deu seu show à parte. Disse que Trump devia “dar palpite na sua vida” — frase que, vinda de alguém que vive comentando os EUA e a política alheia, tem um certo charme de stand-up.
Lindbergh Farias, sempre pronto para um tweet inflamado, perguntou se Trump acha que o Brasil é “republiqueta de bananas”. Difícil responder, mas com tanta gente se lambuzando com as frutas da máquina pública, o cheiro pelo menos lembra.
Por fim, o ministro da AGU, Jorge Messias, avisou que “democracia não se negocia”. Verdade. Só não fica claro se ele se referia ao Brasil real ou à versão idealizada que costuma aparecer em pronunciamentos oficiais.
Resumo da ópera:
Gleisi grita por soberania, Trump grita por Bolsonaro, e o povo brasileiro — que paga a conta — segue gritando por coerência. Enquanto isso, os bilhões desviados do INSS não receberam um tweet, uma nota, nem sequer uma vírgula. Afinal, defender a soberania é fácil. Duro mesmo é enfrentar a sujeira dentro de casa.