Janja em cena: a primeira-dama que queria likes no meio da diplomacia

Janja em cena: a primeira-dama que queria likes no meio da diplomacia

Durante a cúpula dos Brics, Janja tenta registrar vídeo no meio do evento e atrai olhares atravessados — mas segue firme no papel de influenciadora política não eleita, corrigindo até o presidente.

Enquanto líderes mundiais discutiam temas geopolíticos sérios na cúpula dos Brics, no Rio de Janeiro, Janja — sempre conectada — decidiu sacar o celular e tentar um vídeo para as redes sociais bem no momento em que seu marido discursava. A primeira-dama, que ocupa espaço de destaque mesmo sem cargo oficial no governo, acabou chamando atenção pelos motivos errados: olhares de canto, torcidas de nariz e discretos sorrisos desconfortáveis se espalharam entre os presentes.

A cena viralizou mais pelo constrangimento do que pelo conteúdo. Não é a primeira vez que Janja troca o bastidor pela ribalta. Com atuação cada vez mais explícita na política, ela não se furta de dar palpite em tudo — da composição de ministérios ao figurino de Lula. Aliás, até isso vira post.

No mesmo dia do episódio do vídeo, Janja fez questão de ir às redes criticar a baixa participação feminina na cúpula. Endossou o discurso do marido, mas foi além: corrigiu o presidente, que citou cinco mulheres presentes no evento, e acrescentou mais uma. Porque se tem algo que Janja não perde é a chance de pontuar protagonismo — mesmo que para isso precise ajustar as falas do chefe de Estado.

Mas sua atuação fora do script oficial já vem incomodando. O cientista político Adriano Cerqueira, do IBMEC de BH, vê nas ações de Janja um retrato do “vale tudo” de Lula para normalizar condutas impróprias no poder: “Ela não tem mandato, mas fala, aparece e interfere como se tivesse. E Lula estimula isso”, disse o analista.

O currículo de gafes já é extenso. Na Índia, postou um vídeo animado “saindo dançando”, enquanto o Brasil enfrentava uma tragédia climática no Sul. Na China, abordou Xi Jinping para falar de TikTok e extrema direita — quebrando qualquer manual básico de diplomacia. Depois, disse que não é “bibelô de porcelana” e que não viaja “só para acompanhar o marido”.

O problema é que, enquanto tenta acumular protagonismo e seguidores, Janja continua transitando livremente entre selfies e salas de Estado — numa mistura perigosa de informalidade e influência sem voto. Entre um story e outro, quem sabe até grava o próximo reel durante o G20.

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