
Governo Lula intensifica articulação por Jorge Messias no STF com cargos e emendas
Planalto amplia negociações no Senado para garantir aprovação de Jorge Messias em votação decisiva
Nos bastidores de Brasília, o clima é de reta final e tensão crescente. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou, nos últimos dias, uma verdadeira força-tarefa política para garantir a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
A votação, marcada para esta semana, virou prioridade máxima dentro do Palácio do Planalto. Para destravar resistências, emissários do governo passaram a atuar diretamente junto a senadores, ampliando negociações que envolvem desde indicações para agências reguladoras até a liberação de emendas parlamentares.
No centro dessa articulação está o ministro José Guimarães, responsável por conduzir o diálogo com o Congresso. A missão dele é clara: melhorar o ambiente político e reduzir a resistência, especialmente dentro do Senado.
Um dos principais focos de tensão envolve o presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Nos bastidores, é conhecido o desconforto dele com a escolha de Messias, já que preferia ver o senador Rodrigo Pacheco indicado à vaga no Supremo.
Para contornar esse cenário, o governo abriu espaço para negociações mais amplas. Há discussões sobre a divisão de cargos em órgãos estratégicos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Agência Nacional de Mineração (ANM), além de posições no Serviço Geológico do Brasil.
Outro ponto sensível é o aumento no empenho de emendas parlamentares, especialmente as chamadas RP2 — recursos indicados por congressistas, mas cuja liberação depende do Executivo. Na prática, essas verbas funcionam como moeda política em momentos decisivos como este.
Apesar do esforço, o cenário segue incerto. A base governista calcula ter apoio suficiente, com cerca de 45 votos — acima dos 41 necessários. Ainda assim, há sinais de oscilação e cautela entre aliados.
Do outro lado, a oposição se mobiliza para barrar a indicação. Parlamentares de partidos como PL, Novo e Avante já fecharam posição contrária, enquanto outros senadores ainda avaliam o voto, mantendo o desfecho em aberto.
Curiosamente, Messias tem recebido apoio até mesmo de figuras fora do campo direto do governo, como o ministro André Mendonça, indicado anteriormente por Jair Bolsonaro. Esse movimento evidencia como a disputa vai além de ideologias e envolve também articulações institucionais mais amplas.
No fim das contas, a votação de Messias virou mais do que uma simples indicação ao Supremo — tornou-se um teste real da força política do governo no Congresso. E, como toda disputa desse porte, cada voto carrega um peso que vai muito além do placar final.