
Governo Lula já soma quase R$ 390 bilhões em despesas fora da meta fiscal
Medidas emergenciais e pacotes de socorro elevam gastos que podem pesar ainda mais nas contas públicas até 2026
O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem visto crescer uma lista de despesas que não entram na meta fiscal. Segundo cálculos de economistas, esse montante pode ultrapassar R$ 387 bilhões até 2026.
Entre os gastos já confirmados está o novo pacote de auxílio a empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, anunciado na semana passada (13). Só essa medida deve representar R$ 9,5 bilhões fora da meta nos próximos dois anos.
Embora o governo justifique as exclusões como respostas a situações emergenciais, especialistas alertam que a prática repetida enfraquece a credibilidade da âncora fiscal e aumenta a desconfiança em relação ao equilíbrio das contas públicas.
Segundo o Tesouro Nacional, 87% dos recursos já retirados da meta vêm da reversão do chamado “calote dos precatórios”, herdado da gestão anterior. Também entram na lista despesas recompletadas pela PEC da Transição, que buscou reverter cortes em áreas consideradas essenciais.
Estudos apontam que os números são expressivos:
- O BTG Pactual calcula R$ 334 bilhões em gastos fora da meta entre 2023 e 2025, com mais R$ 55 bilhões previstos para 2026;
- Já a XP Investimentos projeta um valor semelhante, chegando a R$ 387,7 bilhões.
E os economistas ainda fazem um alerta: esse valor pode aumentar caso o Congresso aprove novas exceções, principalmente diante da aproximação das eleições de 2026.
Entre os gastos já excluídos estão reajustes do Bolsa Família, pagamento de precatórios, socorro ao Rio Grande do Sul após a tragédia climática e ressarcimento a vítimas de fraudes no INSS.
Mesmo reconhecendo a importância de parte dessas despesas, analistas ressaltam que o uso frequente de “atalhos fiscais” pode desgastar a confiança do mercado e colocar pressão extra sobre a condução da política econômica.