Governo Lula rebate Cláudio Castro e nega abandono do Rio: “Nunca recusamos ajuda”

Governo Lula rebate Cláudio Castro e nega abandono do Rio: “Nunca recusamos ajuda”

Após o governador afirmar que o estado está “sozinho” e que o governo federal negou pedidos de apoio, ministros reagiram dizendo que o Rio sempre teve suporte — e acusam Castro de usar a crise da segurança como palanque político.

As declarações do governador Cláudio Castro (PL) de que o Rio de Janeiro está “sozinho” na luta contra o crime organizado e de que o governo federal teria negado ajuda caíram como uma faísca no Planalto. Integrantes da gestão Luiz Inácio Lula da Silva reagiram com firmeza, afirmando que o governador tenta politizar a crise de segurança pública para antecipar o debate eleitoral de 2026.

Castro fez as críticas após uma megaoperação policial contra o Comando Vermelho, dizendo que teve pedidos de empréstimo de blindados recusados pelas Forças Armadas. “Já entendemos que há uma política de não ceder”, afirmou o governador, acrescentando que o Rio “não vai ficar chorando pelos cantos”.

Mas, em Brasília, o tom foi outro. Fontes do Ministério da Justiça garantem que nenhum pedido formal de ajuda foi feito para essa operação. E lembram: em outras ocasiões, quando o Rio pediu transferência de presos, apoio aéreo ou envio da Força Nacional, foi prontamente atendido.

⚖️ “O Rio não está sozinho”, diz governo federal

Segundo auxiliares do ministro da Justiça, o governador tenta desviar o foco da própria responsabilidade sobre o colapso da segurança pública fluminense. Eles lembram que essa não é a primeira vez que Castro tenta atribuir ao governo federal ou ao STF a culpa pela violência nas favelas e pelo avanço das facções.

“Não houve recusa de apoio. O que existe é um protocolo: o uso das Forças Armadas depende de um pedido de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), e isso deve ser encaminhado ao governo federal, não direto ao Exército”, explicaram integrantes do Ministério da Defesa.

Os militares afirmam que Castro errou no procedimento, já que pedidos de blindados ou apoio bélico não podem ser feitos diretamente às Forças Armadas, mas precisam da autorização do presidente da República.

🚓 Colaboração anterior e acusações políticas

Fontes do governo lembram que, ao longo dos últimos meses, o Rio já recebeu apoio da Força Nacional, além de operações conjuntas da Polícia Rodoviária Federal para combater o tráfico e o roubo de cargas.

“Não é verdade que o Rio está abandonado. O que existe é uma tentativa de criar uma narrativa política em cima de uma tragédia social”, comentou um assessor do Planalto.

As críticas de Castro encontraram eco entre aliados do bolsonarismo, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que compartilhou vídeos da operação e ironizou uma fala recente de Lula sobre o tráfico.

“Depois que Lula disse que traficantes são vítimas dos usuários, nada me surpreende”, escreveu Flávio nas redes.

💬 A fala de Lula e o recuo

Durante uma viagem à Indonésia, Lula afirmou que “traficantes também são vítimas dos usuários”, tentando explicar a relação entre consumo e oferta de drogas. A frase, no entanto, gerou forte reação da oposição e repercussão negativa até entre aliados.

Diante da polêmica, o presidente se retratou:

“Fiz uma frase mal colocada. Meu posicionamento é muito claro contra o crime organizado. O que importa não são as palavras, mas as ações — e o meu governo tem atuado com firmeza.”

Lula citou a maior operação da história contra o tráfico, o envio da PEC da Segurança Pública ao Congresso e recordes na apreensão de drogas como exemplos do compromisso do governo no combate ao crime.

🔥 Disputa política em meio à violência

Enquanto o número de mortos nas operações policiais cresce e as imagens de confrontos se multiplicam nas redes, o embate entre o governo federal e o Palácio Guanabara ganha contornos políticos.

Em meio ao caos, as trocas de acusações revelam mais do que uma divergência administrativa: mostram um Brasil em que a segurança pública virou arma eleitoral — e onde, entre discursos e disputas, quem segue no meio do fogo cruzado é o povo fluminense.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias