
Dinheiro público para a “turma da lacração”? Lula lança Plano de Cultura e dispara recados
Em cerimônia no Planalto, presidente diz que plano vai impedir qualquer governo de “proibir a cultura”, mas gera críticas pelo volume de recursos e pela disputa ideológica.
Durante uma cerimônia no Palácio do Planalto nesta segunda-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou o lançamento do novo Plano Nacional de Cultura (PNC) em um grande ato político — com recados, indiretas e aquela velha narrativa de que cultura seria uma espécie de trincheira contra governos que “querem calar artistas”.
Lula afirmou que o PNC é um “sonho pessoal” e que sua função é impedir que qualquer futuro presidente, seja de qual partido for, tente “proibir a cultura no país”. Para ele, o plano seria uma garantia de blindagem institucional. Para muita gente, no entanto, é mais um pacote bilionário direcionado aos mesmos grupos culturais alinhados ideologicamente ao governo — a chamada turma da lacração.
O presidente também fez questão de dizer que é uma “metamorfose ambulante” política e ideológica — frase que repete sempre que quer justificar mudanças de posição. Apesar da fala descontraída, Lula defendeu mais fiscalização sobre o uso dos recursos distribuídos pelo Ministério da Cultura. Disse que não adianta “só distribuir dinheiro” sem checar se ele realmente foi usado para o que deveria.
O projeto de lei será enviado ao Congresso para substituir o antigo plano, vencido desde 2024. Segundo o governo, a proposta pretende orientar as políticas culturais pelos próximos anos, criando o que Lula chamou de “guerrilha democrática cultural” — uma expressão que, no mínimo, causa estranhamento em quem espera racionalidade no uso de verba pública.
Mesmo sem citar Jair Bolsonaro, Lula voltou a criticar o antigo governo por ter extinguido pastas como Cultura, Mulheres e Igualdade Racial. Para ele, esses ministérios existem para reforçar “compromisso” com quem apoia o governo.
Lula ainda mencionou a COP30 em Belém e disse que a cidade vive uma “revolução cultural” com a chegada de visitantes do mundo inteiro — enquanto críticos lembram que os valores destinados ao evento e às ações culturais seguem sem clareza e sem prestação de contas detalhada.