Governo Lula transforma crítica em caso de polícia

Governo Lula transforma crítica em caso de polícia

Chamá-lo de “Zé Pilantra” vira inquérito, enquanto o país assiste à patrulha do pensamento

Se antes o governo dizia defender a democracia, agora parece empenhado em vigiar piada, ironia e até nome de rede wi-fi. Nos últimos anos, dispararam os inquéritos por supostas ofensas ao presidente Lula, num ritmo que chama atenção não pelo zelo institucional, mas pelo grau de intolerância a qualquer crítica.

Levantamento mostra que ao menos 57 pedidos de investigação foram feitos para apurar xingamentos, montagens, gritos em via pública e até o nome de uma rede sem fio batizada de “Lula ladrão”. Sim, até o Wi-Fi entrou na mira do Estado.

Entre os alvos, estão montagens nas redes sociais em que Lula aparece chamado de “Zé Pilantra” ou caracterizado como Zé Pilintra, figura tradicional das religiões de matriz africana. Para o governo, isso virou caso sério. Para muita gente, soa como falta de senso de humor misturada com abuso de poder.

A sanha investigativa foi tamanha que chegou a incluir pessoas que gritaram frases contra o presidente na rua, uma mulher que protestou com cartazes perto da casa de Lula e até cidadãos “culpados” por se exaltarem no trânsito causado pelo comboio presidencial. O crime, ao que parece, é não aplaudir.

O próprio Lula teria cobrado investigação sobre um áudio em grupo de WhatsApp com ameaças, o que é legítimo quando há risco real. O problema é colocar tudo no mesmo balaio, tratando ameaça grave, meme político e protesto verbal como se fossem iguais.

Curiosamente, parte desses inquéritos acabou arquivada. O Ministério Público lembrou o óbvio: presidente da República está sujeito a críticas, sobretudo em um ambiente político polarizado. Em alguns casos, a Justiça reconheceu que se tratava de manifestação política — algo que, teoricamente, deveria ser protegido em uma democracia.

Ainda assim, o contraste chama atenção. Durante o governo Bolsonaro, houve menos pedidos formais por crimes contra a honra. Agora, sob Lula, a máquina estatal parece mais sensível — ou mais disposta — a reagir contra qualquer palavra atravessada.

No fim das contas, fica a pergunta que ecoa fora dos gabinetes: é realmente uma ofensa chamar Lula de “Zé Pilantra” ou é apenas mais uma crítica política que o governo não sabe — ou não quer — ouvir?

Enquanto isso, o país enfrenta problemas reais, mas o Planalto segue atento… ao nome do Wi-Fi.

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