Governo Milei recusa “pacto de impunidade” para foragidos do 8 de janeiro

Governo Milei recusa “pacto de impunidade” para foragidos do 8 de janeiro

Porta-voz argentino reforça que casos de brasileiros na Argentina são exclusivamente questões judiciais

O governo de Javier Milei, na Argentina, descartou nesta quarta-feira qualquer tipo de acordo com o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro para conceder proteção a brasileiros foragidos que participaram dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O porta-voz da Presidência argentina, Manuel Adorni, afirmou que os fugitivos “são efetivamente uma questão judicial”, enquanto o Brasil se prepara para formalizar pedidos de extradição de 47 envolvidos.

Durante coletiva na Casa Rosada, Adorni foi questionado diretamente sobre a suposta existência de um pacto entre Milei e Bolsonaro para dar asilo político a acusados de tentativa de golpe de Estado. “Não fazemos pacto de impunidade com absolutamente ninguém, nem com Bolsonaro, nem com qualquer outra pessoa. Isso é uma questão judicial, e respeitaremos cada decisão da justiça no momento certo”, respondeu.

Ao ser questionado sobre como os fugitivos teriam conseguido entrar na Argentina, o porta-voz admitiu desconhecer os detalhes e reforçou que qualquer solicitação feita pela justiça brasileira será tratada de acordo com a lei argentina.

A Polícia Federal brasileira deve em breve pedir a extradição de condenados pelos atos de 8 de janeiro que fugiram para o país vizinho. Investigações recentes apontam que pelo menos 65 envolvidos teriam deixado o Brasil, alguns até pedindo refúgio em Buenos Aires. Parte deles teria escapado a pé, atravessando rios ou fronteiras, enquanto outros quebraram tornozeleiras eletrônicas exigidas pelo STF antes de fugir.

O Acordo de Extradição do Mercosul, promulgado em 2006, obriga os países membros a entregar pessoas procuradas pela justiça de outro Estado, embora permita exceções em casos de crimes de natureza política. A situação atual coloca a Argentina e o Brasil em um delicado impasse jurídico, testando limites da cooperação regional e da aplicação da lei frente a fugas planejadas.

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