Governo some, relator fala sozinho

Governo some, relator fala sozinho

Derrite diz que Planalto nem apareceu para discutir o PL Antifacção — mas para punir eleitor do Lula, aí ninguém mexe um dedo

O relator do PL Antifacção, Guilherme Derrite (PP-SP), jogou luz nesta terça-feira sobre algo que muita gente já suspeitava: o governo simplesmente não o procurou para debater o projeto. Nada de reunião, nada de tentativa de alinhamento, nada de esforço para construir uma proposta nacional séria. Segundo Derrite, ele mesmo buscou abrir portas, conversar com todas as alas, construir diálogo — e encontrou o vazio. “O governo não tinha intenção de debater um projeto para o país”, resumiu aos jornalistas.

Do outro lado, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, tentou virar o jogo dizendo que Derrite teria se recusado a ir a uma reunião com o Planalto. É aquela clássica dança de versões: um diz que procurou e não foi atendido; o outro diz que chamou e o relator não apareceu. No meio disso tudo, passa despercebido o que realmente importa: ninguém no governo parece disposto a enfrentar o problema central que o projeto tenta abordar.

E aqui entra a observação inevitável — quase gritante: quando o assunto é punir criminoso de verdade, o governo some; mas quando o assunto é proteger votos e blindar a própria base eleitoral, aí a mobilização é rápida, precisa e dedicada. Criminalidade organizada? Assunto espinhoso demais. Eleitor fiel? Intocável.

O resultado é esse teatro político em que ninguém assume responsabilidade e todos ensaiam justificativas. Enquanto isso, o país segue preso entre discursos vazios e um governo que prefere recuar a discutir endurecimento penal — mesmo quando a cobrança vem de dentro do Congresso.

No fim, Derrite fala sozinho, e o Planalto demonstra mais uma vez o que já ficou claro em tantas outras pautas: coragem para enfrentar bandido não existe; para proteger conveniência política, aí sim sobra disposição.

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