Quando a lei vira escudo: Justiça barra votação e salva Brisa Bracchi na madrugada

Quando a lei vira escudo: Justiça barra votação e salva Brisa Bracchi na madrugada

Decisão relâmpago suspende sessão de cassação e expõe como a burocracia pode virar blindagem para quem está no centro do escândalo

O dia nem tinha amanhecido e a Justiça do Rio Grande do Norte já havia dado um “abraço jurídico” na vereadora Brisa Bracchi (PT). Em plena madrugada desta terça-feira (18), o desembargador Cornélio Alves concedeu uma liminar que suspendeu a sessão de cassação marcada para as 9h — uma sessão que poderia tirar definitivamente o mandato da vereadora.

Enquanto a Câmara Municipal se organizava, ruas eram bloqueadas e vereadores se preparavam para votar, veio a decisão: tudo cancelado, tudo adiado, tudo congelado.
Mais uma vez, no Brasil, a lei funciona com precisão cirúrgica… quando é para proteger quem está no banco dos réus.

A liminar que chegou antes do sol — e antes da cassação

Segundo o processo, Brisa recebeu a notificação às 13h27 de segunda-feira (17), menos de 24 horas antes da votação — quando o regimento exige pelo menos 72 horas. Uma quebra formal? Sim.
Mas também uma porta aberta para que qualquer defesa transforme irregularidade em escudo.

O desembargador entendeu que a falta do prazo poderia “macular o procedimento” e causar “risco grave de dano”.
O problema é que o dano original — o uso suspeito de verba pública — parece sempre ficar em segundo plano.

A primeira tentativa de barrar a sessão tinha sido recusada por um juiz plantonista. Mas a defesa insistiu, dizendo que o expediente só abriria às 8h e que não haveria tempo hábil para salvar a vereadora antes da votação.
A insistência funcionou.
E a Justiça correu — mas correu para o lado da acusada.

A sessão que não aconteceu — mas que já tem nova data

Com a liminar, a Câmara foi obrigada a remarcar a votação para quarta-feira (19), às 9h.
Ou seja: ganhou-se tempo.
Tempo para reorganizar discursos, alinhar estratégias, pedir mais recursos, recalcular alianças.
Tempo que quem paga imposto raramente recebe quando enfrenta qualquer problema com o Estado.

Quando o rigor é seletivo, a confiança derrete

E o recado está dado: no Brasil, quem tem estrutura jurídica nunca cai sozinho — sempre cai em câmera lenta

O episódio expõe um velho problema com cheiro de mofo:
A lei deveria proteger o cidadão, mas acaba servindo como colete à prova de cassação para quem está dentro do jogo político.

Nada disso apaga o fato central:
Brisa Bracchi está sendo julgada por usar dinheiro público em evento político.
É grave.
É sério.
É imoral.
E a população precisa ficar atenta para que esse caso não se transforme em mais um show de manobras, liminares e atalhos legais para adiar o inevitável.

A Justiça pode ter garantido mais alguns dias para a vereadora, mas o julgamento político — o que realmente importa — continua.
E a cobrança também.

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