
Gritos, Acusações e Zero Foco: CPMI do INSS Vira Palco de Caos com Briga Entre Soraya e Van Hattem
Em vez de avançar nas investigações do maior escândalo do INSS, a comissão descamba para ataques pessoais — com a senadora se vitimizando e o deputado perdendo a paciência diante do prolongado discurso.
A tarde na CPMI do INSS virou um espetáculo constrangedor nesta quinta-feira (13/11). O que deveria ser uma sessão de apuração séria sobre o rombo bilionário no INSS se transformou num ringue político, onde cada fala parecia mais uma tentativa de autopromoção do que um esforço por respostas. No centro da confusão? A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) e o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS).
Soraya, ignorando o limite de 10 minutos concedido a cada parlamentar, resolveu estender o discurso para rebater críticas que recebeu por pedir investigação contra advogados que defenderam presos dos atos de 8 de Janeiro. O assunto, que nada tinha a ver com o escândalo do INSS, virou sua bandeira pessoal — e, claro, irritou toda a oposição.
O estopim veio quando o presidente da CPMI, Carlos Viana, pediu mais de uma vez para que ela concluísse a fala. Soraya reagiu com ironia, dizendo já ter visto outros parlamentares “ganharem mais tempo”. A provocação inflamou o ambiente. Foi aí que Van Hattem explodiu:
— “Ela vai ficar aqui para defender vagabundo ou investigar? Tá defendendo vagabundo e a gente está querendo investigar!” — gritou o deputado, completamente tomado pela indignação.
Soraya retrucou na hora, dizendo estar defendendo “patriotas”, numa tentativa de se colocar como vítima — como se estivesse sendo injustamente atacada por buscar justiça. No meio do bate-boca, Carlos Viana tentou puxar o freio, lembrando que aquele não era o tema da sessão e pedindo para seguir adiante.
Enquanto isso, o depoente do dia, Eric Fidelis — filho do ex-diretor do INSS preso pela PF — assistia à cena surreal. A comissão, que deveria investigar fraudes que drenaram bilhões dos aposentados, virou plateia de uma briga infantil.
É impossível não sentir repúdio ao ver uma CPMI, criada para proteger milhões de segurados, se perder em egos, gritos e teatralização barata. Soraya usa a vitimização como escudo; Van Hattem, a indignação no volume máximo. E, no meio disso tudo, a verdade sobre o escândalo do INSS continua esperando para aparecer — abafada pelo barulho político que insiste em falar mais alto do que os fatos.