Moraes Libera Visitas a Bolsonaro Enquanto STF Se Aproxima de Decisão Final Sobre Prisão

Moraes Libera Visitas a Bolsonaro Enquanto STF Se Aproxima de Decisão Final Sobre Prisão

Governadores aliados e o relator do PL Antifacção terão acesso ao ex-presidente em sua prisão domiciliar, em meio a debates acalorados sobre segurança pública e ao fim do julgamento de seus recursos no Supremo.

O ministro Alexandre de Moraes autorizou oficialmente que Jair Bolsonaro receba, em casa, uma fila de aliados estratégicos — governadores e parlamentares que orbitam sua influência política — mesmo enquanto o ex-presidente aguarda o desfecho de um julgamento que pode colocá-lo em regime fechado nas próximas semanas.

As visitas vêm em um momento carregado de tensão em Brasília: o Congresso debate o PL Antifacção, projeto enviado pelo governo Lula para reforçar o combate ao crime organizado e que hoje está sob os holofotes por causa das revisões feitas pelo relator, Guilherme Derrite.

Segundo a decisão de Moraes, Bolsonaro poderá receber, em dias separados e previamente agendados, Cláudio Castro (RJ), Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO), Ubiratan Sanderson (PL-RS) e o próprio Derrite — que deixou o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo para assumir a relatoria do PL Antifacção.

Essas visitas deixam claro que, mesmo em prisão domiciliar, Bolsonaro tenta manter-se presente nas negociações políticas, especialmente num tema sensível como segurança pública — área que, segundo pesquisas recentes, é ponto de desgaste para o governo Lula.

Enquanto isso, o STF chega ao fim do julgamento dos recursos apresentados pela defesa de Bolsonaro e de outros seis condenados por conspirar para tentar um golpe de Estado. Os ministros já rejeitaram os pedidos por unanimidade.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado — pena que ainda não começou a ser cumprida porque a defesa insiste em interpor novos recursos. Mesmo assim, Moraes pode considerar a apresentação desses recursos como tentativa de adiar o processo e decretar a prisão antes que eles sejam analisados.

Se isso ocorrer, o ex-presidente deixará a “bolha controlada” da prisão domiciliar e terá de cumprir pena no regime determinado pelo STF.

Um tabuleiro político em movimento — e um relógio jurídico prestes a zerar.

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