Hugo Motta acelera cassação de Glauber e reacende clima de perseguição no Congresso

Hugo Motta acelera cassação de Glauber e reacende clima de perseguição no Congresso

Deputado do PSOL reage após ser incluído por Motta no mesmo pacote de Zambelli, Ramagem e Eduardo Bolsonaro; ele diz que querem calar sua voz desde que denunciou o orçamento secreto.

O clima na Câmara esquentou de vez. Nesta terça-feira (9), Hugo Motta, presidente da Casa, comunicou aos líderes partidários que vai levar ao plenário, já nesta quarta (10), a votação que pode cassar o mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ). A decisão veio de forma direta, quase cirúrgica — e sem cerimônia — colocando Glauber no mesmo balaio que Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro.

Para muitos, a jogada tem o dedo firme de Motta. Para outros, o sabor amargo de perseguição.

Ao ser notificado, Glauber não ficou calado. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado reagiu com indignação e um tom de resistência. Para ele, o que está em curso não é um processo disciplinar — é retaliação política.

“Eu não vou recuar”, afirmou. “Não vou parar de denunciar o orçamento secreto. Eles querem calar a nossa voz, mas a gente vai seguir firme.”

Glauber lembra que tudo começou há mais de um ano, quando se envolveu num confronto com um militante do MBL que o perseguia pelos corredores da Câmara, disparando ofensas — inclusive contra sua mãe, que estava gravemente doente e faleceu pouco tempo depois. O caso se arrastou, virou munição política e, agora, retorna turbinado pela caneta de Motta.

O presidente da Câmara decidiu levar não apenas a cassação de Glauber, mas também as de Zambelli e Ramagem, condenado pelo STF a 16 anos e atualmente foragido. No pacote, ainda está a análise das faltas acumuladas por Eduardo Bolsonaro, que deve perder o mandato por abandono do cargo.

Mas, para os aliados de Glauber, há uma diferença que salta aos olhos: enquanto uns respondem por golpes, fugas e manipulações, ele é julgado por reagir a uma provocação violenta — e por expor esquemas incômodos ao centrão.

A sensação de desproporção paira no ar. E a de perseguição também.

Motta, que tenta marcar seu nome como um presidente rígido e “equilibrado”, sustenta que apenas está seguindo o regimento. Mas, para quem acompanha os bastidores, a pressa repentina levanta dúvidas: por que agora? Por que juntos? Por que nesse ritmo?

O fato é que Glauber entra no plenário desta quarta como alvo de um sistema que ele sempre enfrentou de frente — e que agora parece decidido a fechar o cerco.

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