
Hugo Motta se lança como vidente eleitoral e tenta pegar carona no governo Lula
Deputado faz previsão confiante sobre eleição na Paraíba e atribui a si mesmo o “sucesso” da gestão petista
Em mais um discurso marcado pela autoconfiança em excesso, o deputado Hugo Motta resolveu vestir o figurino de profeta eleitoral. Sem rodeios, afirmou que o vice-governador Lucas Ribeiro será o candidato mais votado já no primeiro turno da disputa ao governo estadual. Segundo ele, o resultado é tão certo que pode ser cobrado no futuro — como se eleição fosse matemática exata, e não vontade popular.
“Anotem aí”, disse Motta, num tom de quem já distribui medalhas antes da largada. Curiosamente, o deputado afirmou não saber quem estará no segundo turno, mas garantiu que o desfecho inicial está praticamente escrito. A segurança soa menos como análise política e mais como aposta pública, daquelas que costumam envelhecer mal.
Mas o momento mais simbólico veio quando Hugo Motta decidiu ir além e reivindicar para si parte do “reconhecimento” que o governo Lula teria recuperado nos últimos meses. Segundo o deputado, a melhora na imagem do Planalto não teria surgido do nada, mas seria fruto direto das votações aprovadas pela Câmara em 2025 — ano que, segundo ele, foi duro, complexo e, claro, superado graças ao esforço do Legislativo.
Na leitura de Motta, se o governo hoje colhe algum crédito junto à população, isso se deve muito mais às decisões tomadas no Congresso do que à condução do próprio Executivo. Uma narrativa conveniente, que transforma articulação política em troféu pessoal e tenta dividir — ou até sequestrar — méritos que não lhe pertencem exclusivamente.
O discurso, embalado por previsões grandiosas e autocomplacência, reforça a imagem de um político mais preocupado em se projetar como peça central do tabuleiro do que em reconhecer os limites entre análise, torcida e realidade. Ao tentar bancar o oráculo das urnas e o fiador do governo Lula, Hugo Motta parece apostar alto na própria versão dos fatos.
Resta saber se, no futuro, a tal “profecia eleitoral” resistirá ao teste mais implacável da política brasileira: o voto — esse detalhe que nem discursos confiantes nem previsões ousadas conseguem controlar.