
CPMI do INSS se aproxima do fim sob silêncio e descaso de Alcolumbre
Presidente do Congresso ignora pedidos de prorrogação enquanto investigação sobre fraudes bilionárias corre contra o tempo
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura o escândalo de fraudes no INSS caminha para o encerramento sem concluir pontos centrais da investigação. O prazo final dos trabalhos termina em 28 de março e, até agora, não há qualquer sinal concreto de prorrogação. O principal obstáculo tem nome e cargo: Davi Alcolumbre, presidente do Congresso Nacional.
Responsável por conduzir decisões administrativas essenciais, Alcolumbre tem evitado deliberadamente o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que tenta, sem sucesso, uma reunião para discutir a extensão dos trabalhos por ao menos mais um mês. O silêncio e a falta de resposta soam como desinteresse — ou algo pior — diante de um dos maiores esquemas de fraude contra aposentados já revelados no país.
O regimento do Congresso permite que uma CPMI seja prorrogada por até 120 dias, mas Viana afirma que nem isso seria necessário. Segundo ele, metade desse tempo já bastaria para avançar em requerimentos pendentes, oitivas estratégicas e análises de documentos financeiros. Ainda assim, Alcolumbre segue inacessível.
A postura causa indignação entre integrantes da comissão, que avaliam recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso o Congresso continue se omitindo. A alternativa extrema reflete a gravidade da situação: uma investigação de interesse público sendo esvaziada não por falta de fatos, mas por bloqueio político.
O caso do INSS veio à tona após uma série de reportagens que revelaram um esquema bilionário envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados. As denúncias deram origem a inquéritos da Polícia Federal, ações da Controladoria-Geral da União e à Operação Sem Desconto, que resultou em demissões no alto escalão da Previdência.
Mesmo com esse histórico explosivo, a CPMI ainda tem depoimentos importantes a ouvir, como o do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de requerimentos sensíveis envolvendo quebras de sigilo e novas convocações. O tempo, porém, está sendo consumido pela inércia institucional.
O comportamento de Alcolumbre transmite uma mensagem perigosa: a de que investigar fraudes contra aposentados pode esperar — ou até ser convenientemente interrompido. Em um Congresso que deveria zelar pela transparência e pelo interesse público, a omissão não é neutra. Ela protege, atrasa e enfraquece.
Diante de um escândalo dessa magnitude, ignorar a CPMI não é apenas uma escolha política. É um gesto de desprezo com milhões de brasileiros lesados e com o próprio papel fiscalizador do Parlamento. O silêncio de Alcolumbre fala alto — e cobra um preço à credibilidade das instituições.