
“Impunidade não é opção”: Moraes abre julgamento de Bolsonaro com recado duro contra golpe
Ministro do STF afirma que reconciliação nacional só é possível com respeito à Constituição, aplicação das leis e fortalecimento das instituições
O Supremo Tribunal Federal abriu nesta terça-feira (2) o julgamento da chamada “trama golpista”, que coloca Jair Bolsonaro e outros sete aliados no banco dos réus. Logo na abertura da sessão, Alexandre de Moraes deixou claro que a Corte não aceitará atalhos em nome de anistia ou pacificação artificial: “A impunidade, a omissão e a covardia não são opções para o futuro do país”.
O relator lembrou que a tentativa de golpe de 2022, articulada após a derrota de Bolsonaro nas urnas, representou um ataque frontal ao Estado Democrático de Direito. “O Brasil e sua Suprema Corte só têm a lamentar mais uma tentativa de instaurar uma ditadura, atentando contra as instituições e a democracia”, afirmou.
Em tom firme, Moraes ressaltou que a verdadeira reconciliação nacional não se constrói com esquecimento, mas com respeito à Constituição, cumprimento das leis e fortalecimento das instituições democráticas. Para ele, tanto a sociedade quanto o próprio Judiciário mostraram resiliência diante das pressões e tentativas de ruptura.
O ministro também apontou que o processo será guiado exclusivamente pelas provas reunidas. “Se existirem provas acima de qualquer dúvida razoável, as ações penais serão julgadas procedentes e os réus condenados”, destacou.
Antes de iniciar a leitura do relatório, Moraes reforçou o papel do Supremo como guardião da democracia: “Assim se faz Justiça. Esse é o papel do STF: julgar com imparcialidade, aplicar a lei e ignorar pressões, sejam internas ou externas.”
O julgamento segue nos próximos dias. Se a denúncia da Procuradoria-Geral da República for acolhida, Bolsonaro e seus aliados responderão criminalmente por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e conspiração contra a ordem constitucional.