
Israel anuncia cessar-fogo em Gaza após ataques que mataram mais de 100 pessoas
Bombardeios israelenses em represália à morte de um soldado reacendem medo da guerra e deixam dezenas de crianças entre as vítimas
Israel informou nesta quarta-feira (29) que retomou o cessar-fogo na Faixa de Gaza, depois de realizar bombardeios que deixaram mais de 100 mortos, segundo a Defesa Civil local e hospitais, em retaliação à morte de um soldado israelense.
Na manhã desta quarta, colunas de fumaça negra podiam ser vistas em vários pontos de Gaza, reacendendo o medo de uma nova escalada do conflito. Moradores descrevem noites de terror e destruição: “Tínhamos começado a respirar novamente, a tentar reconstruir nossas vidas, e os bombardeios retornaram trazendo de volta a guerra e a morte”, relatou Khadija al Housni, residente em um acampamento de refugiados.
Jalal Abbas, outro morador, resumiu o sentimento de muitos: “Estamos exaustos”, disse, vivendo em condições precárias no centro de Gaza. Imagens de hospitais locais mostraram feridos sendo atendidos, incluindo crianças com ferimentos graves.
Segundo a Defesa Civil palestina, 104 pessoas morreram nos ataques israelenses, sendo 46 crianças. A ONU classificou os números como “horríveis”.
O Exército de Israel afirmou que atacou “dezenas” de alvos e 30 comandantes de grupos armados, reiterando que qualquer agressão contra soldados seria respondida sem piedade. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou: “Não haverá imunidade para líderes do Hamas, nem para aqueles que se escondem em túneis”.
O soldado Yona Efraim Feldbaum, de 37 anos, morreu em combate no sul de Gaza, segundo confirmou o Exército israelense. Antes do cessar-fogo, o presidente americano Donald Trump e o xeique Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, do Catar, reforçaram a importância de manter o acordo em vigor desde 10 de outubro.
Enquanto isso, o Hamas negou ter atacado as tropas israelenses e reafirmou seu compromisso com o cessar-fogo, embora tenha adiado a entrega dos corpos de dois reféns encontrados recentemente. O ataque inicial de 7 de outubro causou 1.221 mortes, a maioria civis, enquanto a ofensiva israelense já deixou mais de 68 mil mortos em Gaza, segundo autoridades de saúde locais.
Este novo capítulo do conflito reacende a tragédia humanitária e o sofrimento da população civil, já sobrecarregada por anos de bloqueios e combates.