Janja descobre os evangélicos: missão de conversão política ou fé tardia?

Janja descobre os evangélicos: missão de conversão política ou fé tardia?

Primeira-dama agora viaja o Brasil para tentar diminuir rejeição do governo entre fiéis que sempre torceram o nariz para Lula

De repente, Janja resolveu lembrar que o Brasil também é feito de evangélicos. A primeira-dama anda rodando o país — do Rio de Janeiro a Manaus, passando por Salvador, Ceilândia e agora Caruaru — em encontros cuidadosamente batizados de “diálogo” com mulheres evangélicas. O detalhe é que justamente esse grupo tem sido a pedra no sapato do governo Lula: segundo o Datafolha, mais da metade dos evangélicos avalia a gestão como ruim ou péssima, e boa parte deles segue fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A estratégia não surgiu do nada. Ela vem sendo articulada pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que tenta mostrar como as políticas públicas do governo atingem a vida das mulheres e famílias das igrejas. Janja, por sua vez, chega com um discurso de valorização feminina, falando sobre combate à desigualdade, geração de renda e até pobreza menstrual. Uma pauta legítima, mas que soa quase como uma pregação política disfarçada.

Nem sempre o efeito é positivo. Uma pesquisa recente mostrou que 36% dos brasileiros acreditam que a atuação da primeira-dama mais atrapalha do que ajuda Lula. Apenas 14% dizem o contrário, e os outros seguem indiferentes. Ou seja: essa peregrinação pode estar mais para risco de desgaste do que para conquista de fiéis.

Além dos encontros, Janja e Lula chegaram até a sentar no sofá do podcast “Papo de Crente”. Lula, com aquele tom professoral, garantiu que não usa igrejas como palanque. Já Janja explicou que não fala de religião, mas do impacto das políticas nas vidas das mulheres — sobretudo negras e periféricas. Uma frase bonita, mas que dificilmente convence quem vê a movimentação como puro cálculo político.

Ironia do destino: depois de duas décadas de PT e três mandatos de Lula, só agora Janja resolveu que precisava “dialogar” com os evangélicos. Será que é fé nova ou apenas campanha antecipada?

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