Juíza “multitarefas” é demitida por copiar sentenças e culpa a maternidade

Juíza “multitarefas” é demitida por copiar sentenças e culpa a maternidade

Angélica Layoun diz que copiar e colar decisões judiciais em série foi seu jeito de lidar com o excesso de processos — e a rotina de mãe de criança com autismo. Agora, quer reverter a demissão no CNJ.

A juíza Angélica Chamon Layoun, demitida pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul por disparar cerca de 2 mil despachos padronizados em processos cíveis, está tentando reverter a decisão junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A alegação? As dificuldades da vida materna — mais especificamente, o desafio de conciliar a função de juíza com os cuidados de um filho com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Segundo sua defesa, Angélica assumiu, em 2023, uma vara atolada de processos. E, ao invés de analisar caso a caso, resolveu aplicar o famoso “Ctrl+C, Ctrl+V” judicial para dar conta da demanda — gerando métricas de produtividade dignas de super-heroína (ou robô).

Mas o que seriam “sentenças” para muitos, ela e sua defesa juram que eram apenas “despachos” genéricos, que nem deveriam ter chegado aos advogados. Culpa de um servidor, afirmam.

O problema é que Angélica estava em estágio probatório — e errou na fase em que todo deslize pesa em dobro. Resultado: foi afastada do cargo em setembro de 2023 e demitida em definitivo no final de maio de 2025. E não foi só isso: ela também responde a um processo criminal movido pelo Ministério Público do estado.

Sua defesa, liderada pelo ex-advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, tenta sensibilizar o CNJ. Segundo ele, a punição foi desproporcional, já que Angélica enfrentava dificuldades com os sistemas digitais da Justiça e ainda por cima cuidava sozinha do filho com necessidades especiais.

Com quase seis anos de experiência como juíza em Pernambuco, Angélica pediu exoneração para começar de novo no Rio Grande do Sul. Mas a aposta no recomeço virou tragédia institucional — da toga ao processo disciplinar.

Agora, ela tenta convencer o CNJ de que o problema não foi desonestidade, mas uma sobrecarga humana. Resta saber se a corte vai acolher o apelo… ou manter a sentença — dessa vez, sem copiar de lugar nenhum.

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