
Justiça determina desinternação do “Maníaco do Novo Gama” e decisão provoca forte repercussão após histórico de crimes brutais
Condenado por homicídios, estupros e aborto, Adaylton Nascimento Neiva deixará a Ala de Tratamento Psiquiátrico do Distrito Federal após decisão da Justiça. Caso reacende debate sobre segurança pública, acompanhamento de criminosos de alta periculosidade e proteção da sociedade.
A decisão da Justiça do Distrito Federal de autorizar a desinternação condicional de Adaylton Nascimento Neiva, de 47 anos, conhecido nacionalmente como “Maníaco do Novo Gama”, provocou intensa repercussão e reacendeu o debate sobre os limites das medidas de segurança aplicadas a criminosos considerados de alta periculosidade.
A determinação foi assinada pela juíza Leila Cury, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que concluiu que o atual quadro de saúde mental do condenado não justificaria mais a permanência em regime de internação psiquiátrica por tempo indeterminado.
Apesar da desinternação, Adaylton não estará em liberdade irrestrita. A decisão estabelece que ele deverá manter tratamento médico e psicológico contínuo, além de permanecer sob acompanhamento do serviço social do TJDFT e de familiares.
Histórico de crimes que chocou o país
O nome de Adaylton Nascimento Neiva ficou conhecido no início dos anos 2000 após uma sequência de crimes violentos que espalhou medo entre moradores do Distrito Federal e do Entorno.
Em março de 2000, no município de Novo Gama (GO), ele assassinou sua então companheira, de apenas 19 anos, que estava grávida de cinco meses. Na mesma ocasião, também matou a enteada, uma menina de cinco anos.
Segundo as investigações, após atacar a companheira com um pedaço de madeira, ele surpreendeu a criança quando ela saía do banho. A menina tentou fugir, mas foi dominada e morta por asfixia com uma sacola plástica. Os corpos foram enterrados em uma cova rasa no quintal da residência e encontrados pela polícia dez dias depois.
Mesmo preso após esses crimes, Adaylton acabou sendo colocado em liberdade cerca de sete meses depois devido à demora no julgamento.
Novos estupros e assassinatos
A soltura foi seguida por novos episódios de extrema violência.
Em 2001, ele estuprou três mulheres na região do Gama, sendo posteriormente condenado a nove anos e seis meses de prisão.
Após cumprir parte da pena, recebeu progressão para o regime semiaberto em setembro de 2009. Pouco tempo depois, fugiu.
Ainda naquele ano, voltou a cometer crimes. Em dezembro de 2009, estuprou e assassinou uma dona de casa. Dias depois, sequestrou uma adolescente de 14 anos, levou a vítima para um matagal em Novo Gama, onde a estuprou e, em seguida, a matou.
Depois dos crimes, fugiu para o estado do Piauí, onde foi localizado e preso em julho de 2010.
Durante as investigações, Adaylton confessou participação em nove homicídios — cinco em Novo Gama, três em Sobradinho e um em Santa Maria. Entretanto, apenas parte dessas confissões reuniu provas suficientes para condenação.
Em 2011, foi condenado a 54 anos e seis meses de prisão pelos crimes de homicídios qualificados, estupros e aborto provocado por terceiro, sendo encaminhado para a Ala de Tratamento Psiquiátrico da Penitenciária da Colmeia, no Distrito Federal, onde cumpria medida de segurança desde então.
Decisão divide opiniões
A autorização para a desinternação gerou forte repercussão diante da gravidade dos crimes atribuídos ao condenado. O caso voltou a levantar questionamentos sobre o equilíbrio entre o cumprimento das decisões judiciais baseadas em laudos médicos e a preocupação da sociedade com a segurança pública.
Especialistas lembram que a medida de segurança prevista na legislação brasileira depende da avaliação periódica sobre a condição psiquiátrica do internado. Quando exames técnicos concluem que a internação não é mais necessária, a Justiça pode determinar a chamada desinternação condicional, impondo regras rígidas de acompanhamento.
Ainda assim, a liberação de um criminoso responsável por crimes tão violentos desperta apreensão entre familiares de vítimas e parte da população, reacendendo o debate sobre os mecanismos de fiscalização e monitoramento desses casos para reduzir riscos e garantir a proteção da sociedade.