
Justiça manda retirar tornozeleira de filho de bicheiro no Rio
Após mais de dois anos sob monitoramento, Judiciário entende que Gustavo de Andrade cumpriu todas as regras impostas
A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a retirada da tornozeleira eletrônica de Gustavo de Andrade, filho do bicheiro Rogério de Andrade. A decisão foi tomada pela 1ª Vara Criminal Especializada e considerou que o acusado vinha cumprindo corretamente todas as medidas cautelares desde que deixou a prisão, em junho de 2023.
O juiz auxiliar Bruno Rodrigues Pinto destacou que o monitoramento já se estendia por mais de dois anos, sem que a instrução criminal tivesse sido concluída nesse período. Para o magistrado, manter a tornozeleira por tempo indeterminado, diante do comportamento do réu, deixava de ser razoável.
Defesa alegou prejuízos à vida acadêmica
O pedido para a retirada do equipamento foi apresentado pela defesa no dia 12 de dezembro. Os advogados argumentaram que Gustavo é estudante de Medicina em regime integral e que as restrições impostas pelo monitoramento eletrônico vinham prejudicando sua formação, dificultando a participação em atividades acadêmicas, estágios e cursos complementares — inclusive aos fins de semana.
Apesar disso, a decisão não significou liberdade total. A Justiça manteve outras medidas cautelares: Gustavo deverá se apresentar mensalmente ao Judiciário e está proibido de deixar o Estado do Rio de Janeiro.
MP foi contra a retirada do monitoramento
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) se manifestou contra o pedido. Para os promotores, Gustavo ocupa posição de destaque dentro da estrutura da organização criminosa investigada, sendo apontado como o segundo na hierarquia, logo abaixo do pai.
Segundo o Ministério Público, sempre que Rogério de Andrade esteve ausente, o filho teria assumido o comando do grupo, que continuaria operando mesmo após a deflagração da Operação Calígula, em 2022 — investigação que levou à prisão de pai e filho por suspeita de exploração de jogos ilegais no Rio.
Situação atual dos envolvidos
Enquanto Gustavo responde em liberdade, agora sem tornozeleira, Rogério de Andrade segue preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O processo continua em andamento, e a retirada do monitoramento não interfere no mérito das acusações, apenas nas condições impostas ao acusado durante a tramitação do caso.
A decisão reacende o debate sobre o tempo excessivo de medidas cautelares e os limites entre garantir a investigação e preservar direitos individuais.