Entre chuva, fé e gritos de protesto, Nikolas Ferreira encerra caminhada com ato pró-Bolsonaro em Brasília

Entre chuva, fé e gritos de protesto, Nikolas Ferreira encerra caminhada com ato pró-Bolsonaro em Brasília

Manifestação reuniu aliados políticos, enfrentou temporal e terminou com críticas diretas ao STF no coração da capital

Depois de sete dias na estrada, cruzando cerca de 240 quilômetros a pé, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) chegou a Brasília e transformou o fim da caminhada em um grande ato público em defesa da anistia e em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação aconteceu neste domingo (25), na Praça do Cruzeiro, sob chuva intensa e clima de forte tensão política.

Mesmo com o tempo fechado, o protesto reuniu nomes conhecidos da direita, como Carlos Bolsonaro, os deputados Carlos Jordy (PL-RJ), Zé Trovão (PL-SC), Bia Kicis (PL-DF) e Filipe Barros (PL-PR). O cenário foi marcado por palavras de ordem, discursos inflamados e um público visivelmente determinado a permanecer, apesar das condições adversas.

Durante o evento, Nikolas subiu em um trio elétrico para encerrar o ato e fez um discurso duro, mirando diretamente o ministro do STF Alexandre de Moraes. Em meio aos aplausos, disparou: “Alexandre de Moraes, o Brasil não tem medo de você”, frase que ecoou entre os manifestantes.

Horas antes, enquanto o público aguardava a chegada do deputado, o temporal provocou um episódio grave: algumas pessoas foram atingidas por um raio. Segundo o Corpo de Bombeiros, 72 manifestantes precisaram de atendimento médico, o que reforçou o clima de alerta ao longo do dia.

O local da manifestação não foi escolhido por acaso. A Praça do Cruzeiro fica a cerca de 7 quilômetros da Praça dos Três Poderes e foi definida após decisão de Alexandre de Moraes, que proibiu atos e acampamentos nas proximidades do Complexo da Papuda, onde Bolsonaro está preso. Mesmo assim, no sábado (24), o Palácio do Planalto instalou grades de proteção, sinalizando preocupação com possíveis desdobramentos.

Ainda pela manhã, ao iniciar o último trecho da caminhada, Nikolas afirmou que o principal objetivo já havia sido cumprido. Segundo ele, mais do que o ato final, a mobilização serviu para “despertar as pessoas e abrir os olhos para o que está acontecendo no país”. O deputado também revelou que passou a usar colete à prova de balas, por orientação da polícia legislativa, após receber ameaças.

No último dia do trajeto, Carlos Bolsonaro se juntou ao grupo. O movimento também recebeu manifestações públicas de apoio de Eduardo e Flávio Bolsonaro, além do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que elogiou a iniciativa e destacou a energia dos brasileiros dispostos a promover mudanças.

Mesmo à distância, Flávio Bolsonaro, que está em Israel, incentivou os apoiadores a comparecerem ao ato e apelou ao tom religioso. Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro marcou presença, agradeceu aos participantes e chamou Nikolas de “nosso líder”, classificando a manifestação como pacífica, ordeira e guiada por Deus.

Entre chuva, discursos e simbolismo político, o ato terminou como começou: cercado de emoção, tensão institucional e a sensação de que a caminhada foi menos sobre quilômetros percorridos — e mais sobre o recado que seus organizadores quiseram deixar em Brasília.

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