Justiça ou perseguição? Moraes barra exame médico e reforça cerco contra Bolsonaro

Justiça ou perseguição? Moraes barra exame médico e reforça cerco contra Bolsonaro

Decisão do ministro do STF retira dos autos um simples pedido de avaliação médica, em mais um episódio que soa como parte do implacável cerco judicial contra o ex-presidente.

A cada nova decisão, fica mais difícil acreditar que Jair Bolsonaro está apenas respondendo a processos — parece que está sendo caçado. Desta vez, o ministro Alexandre de Moraes mandou retirar dos autos um pedido feito pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, que apenas solicitava uma avaliação médica para saber se o ex-presidente teria condições de cumprir pena na Papuda. Um pedido técnico, administrativo, e ainda assim considerado “sem pertinência” pelo Supremo.

O despacho, seco e direto, soou quase como um tapa burocrático: “Considerando a ausência de pertinência, desentranhe-se a petição dos autos.” Nada mais, nada menos. A mensagem implícita é clara — qualquer movimento que pareça facilitar ou sequer humanizar a situação de Bolsonaro será prontamente vetado.

O secretário Wenderson Souza e Teles, autor da solicitação, destacou algo óbvio: Bolsonaro passou por diversas cirurgias, enfrenta problemas gastrointestinais recorrentes e trata um câncer de pele. Era de se esperar, portanto, que se avaliasse se um presídio comum teria estrutura para atendê-lo. Mas, num cenário em que questões médicas se transformam em disputas políticas, até um relatório clínico vira suspeita.

Enquanto isso, Moraes segue acumulando decisões sobre cada detalhe do caso, consolidando o papel de juiz, acusador e executor de um processo que, para muitos, já deixou de lado a serenidade da Justiça e abraçou o espetáculo da punição.

Na sexta-feira, o STF voltará a julgar os recursos apresentados pela defesa de Bolsonaro e de outros sete réus ligados à tentativa de golpe de 2022. Caso sejam rejeitados, a pena de 27 anos e três meses de prisão ficará ainda mais próxima de se tornar definitiva — uma sentença que, mesmo sem trânsito em julgado, já é tratada como fato consumado pela própria Corte.

Bolsonaro, por ora, segue em prisão domiciliar. Mas o recado é claro: não há gesto pequeno demais para ser negado, nem pedido técnico que escape do crivo político. Até a saúde de um ex-presidente virou pauta de batalha.

E no meio desse enredo, a Justiça, que deveria ser cega, parece enxergar muito bem quem quer ver atrás das grades.

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