Justiça puxa a tomada da paciência e manda Enel religar São Paulo já

Justiça puxa a tomada da paciência e manda Enel religar São Paulo já

Decisão fixa prazo curto, multa pesada e prioridade para hospitais, enquanto moradores seguem no escuro esperando a luz — e respostas

A paciência da Justiça acabou antes da luz voltar. Diante do apagão que insiste em castigar São Paulo e a região metropolitana, a Justiça paulista determinou que a Enel restabeleça imediatamente o fornecimento de energia, sob pena de uma multa salgada: R$ 200 mil por hora em caso de descumprimento.

A ordem partiu da 31ª Vara Cível do TJ-SP, que estabeleceu um prazo máximo de 12 horas, contadas a partir da notificação oficial da empresa, para que a energia seja religada de forma geral. Para locais sensíveis — como hospitais, unidades de saúde, delegacias, escolas, creches, sistemas de água e saneamento, além de pessoas eletrodependentes e idosos — o prazo é ainda mais curto: até 4 horas.

Na decisão, a juíza Gisele Valle Monteiro da Rocha foi direta ao ponto e nada indulgente. Segundo ela, o apagão atual não é um acidente isolado, mas parte de um histórico recorrente de falhas, especialmente em períodos de chuva e no fim do ano — justamente quando a concessionária deveria reforçar sua estrutura.

Outro alvo da decisão foram os canais de atendimento da Enel. A magistrada determinou que a empresa garanta meios eficazes para o registro de reclamações, criticando relatos de aplicativo instável e até bloqueio de captura de tela, o que, segundo ela, fere o direito básico do consumidor à informação.

Enquanto isso, do outro lado da tomada, a Enel informou que ainda não foi oficialmente intimada pela Justiça, mas garantiu que segue trabalhando “de forma ininterrupta” para restabelecer o serviço. O problema é que, na prática, os números seguem altos: mais de 493 mil imóveis continuam sem energia, sendo 363 mil apenas na capital, dias após o vendaval histórico que atingiu a cidade.

Entre decisões judiciais, multas milionárias e comunicados corporativos, a realidade segue a mesma para milhares de paulistanos: casa escura, comida estragando na geladeira e a sensação de que, mais uma vez, a resposta chega bem depois do apagão.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags