
Laudo médico revela episódios graves de apneia durante o sono de Bolsonaro
Relatório enviado ao STF aponta centenas de interrupções respiratórias enquanto ex-presidente dormia
Um relatório médico apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalha um quadro preocupante de saúde. O documento, encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, mostra que Bolsonaro teve a respiração interrompida mais de 500 vezes ao longo de uma única noite de monitoramento clínico.
O exame foi realizado no período em que o ex-presidente estava sob custódia da Polícia Federal, em Brasília. A divulgação do laudo ocorre enquanto Bolsonaro permanece internado na capital federal, onde passa por procedimentos cirúrgicos e tratamentos para controlar crises persistentes de soluço.
De acordo com a polissonografia analisada, 470 dos episódios registrados foram classificados como apneia do sono, com pausas respiratórias que duraram entre 10 e 25 segundos. A apneia é um distúrbio que provoca interrupções frequentes da respiração durante o sono, prejudicando o descanso e reduzindo a oxigenação do sangue.
Especialistas explicam que, nesses casos, o cérebro é forçado a despertar repetidas vezes para restabelecer a respiração, o que compromete profundamente a qualidade do sono e aumenta riscos à saúde. A defesa utiliza o laudo para demonstrar as condições clínicas enfrentadas por Bolsonaro durante o período de custódia.
Internação, cirurgias e tratamento dos soluços
Atualmente, Jair Bolsonaro está internado no Hospital DF Star, onde deu entrada para a realização de uma cirurgia de correção de hérnia inguinal bilateral. Além da recuperação do procedimento, os médicos lidam com uma crise intensa de soluços que tem exigido intervenções específicas.
No último sábado, foi realizado um bloqueio anestésico no nervo frênico direito, responsável pelos movimentos do diafragma. Como os soluços persistiram, a equipe médica programou um novo bloqueio, desta vez no lado esquerdo, na tentativa de interromper as contrações involuntárias.
O relatório médico encaminhado à Justiça também aponta outras condições de saúde que exigem acompanhamento constante. Entre elas estão refluxo gastroesofágico com esofagite, hipertensão arterial, além de alterações cardíacas e vasculares. A combinação desses fatores com a apneia severa eleva o risco de complicações cardiovasculares, como infarto e AVC.
Tratamento e próximos passos
Para o tratamento da apneia obstrutiva do sono, os médicos avaliam diferentes abordagens, que podem incluir o uso de aparelhos como o CPAP, responsável por manter as vias aéreas abertas durante o sono, além de ajustes no estilo de vida.
A expectativa da equipe médica é de que Bolsonaro receba alta hospitalar até a próxima quinta-feira (1º), desde que haja resposta positiva aos procedimentos realizados. Após a liberação, ele deverá retornar à Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena conforme decisão judicial.