
Lewandowski silencia sobre veto a protestos que ele mesmo rejeitou no STF em 2007
Ministro da Justiça não comenta decisão de Moraes que barra manifestações na Praça dos Três Poderes — local que ele já defendeu como símbolo da liberdade.
Em 2007, Ricardo Lewandowski, então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), foi categórico: restringir manifestações na Praça dos Três Poderes era um ataque à democracia. Quase duas décadas depois, no cargo de ministro da Justiça, ele opta pelo silêncio diante de uma medida semelhante, agora vinda do próprio STF.
A decisão recente partiu do ministro Alexandre de Moraes, que ordenou a remoção de acampamentos e limitou manifestações na região, alegando risco de novos episódios como os do 8 de janeiro. A justificativa? Prevenção e segurança. Mas o silêncio de Lewandowski soa alto — especialmente porque ele próprio, em voto histórico, classificou medidas parecidas como “inadequadas, desnecessárias e desproporcionais”.
Na época, Lewandowski chegou a citar a Declaração de Direitos da Pensilvânia, de 1776, para defender o direito à livre manifestação. Para ele, impedir o uso de carros de som equivalia a “emudecer o povo”. Sua defesa da praça como espaço simbólico da liberdade ficou registrada como um marco.
Hoje, porém, ele integra um governo que recorre a grades e policiamento para manter manifestantes afastados da Esplanada. No último sábado (26), barreiras foram instaladas pela Polícia Militar a pedido da Secretaria de Segurança Pública, o que transformou o local em uma área praticamente interditada, inclusive para turistas.
Procurado pela imprensa neste domingo (27), Lewandowski não respondeu se ainda sustenta o posicionamento que teve em 2007. O contraste entre o ministro que defendeu a praça como “palco legítimo do povo” e o atual integrante de um governo que restringe protestos é gritante — e desconcertante.
Enquanto isso, a justificativa usada por Moraes segue sendo o temor de novos distúrbios, como os que marcaram o início de 2023. Resta saber se a segurança vale mais que o princípio da liberdade que, tempos atrás, o próprio Lewandowski ajudou a proteger.