
Lula defende redução gradual dos juros: “Não podemos ficar numa gangorra”
Presidente destaca necessidade de baixar a Selic com cautela e mantém diálogo com o Banco Central para garantir estabilidade econômica
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a falar sobre a política de juros nesta quinta-feira (11), defendendo que a taxa básica, a Selic, seja reduzida com cautela. Em entrevista ao Jornal da Band, Lula ressaltou que a queda deve ser gradual para evitar instabilidades na economia.
— Pode ser ainda este ano, mas tem que começar a baixar com sobriedade e sustentabilidade, porque não podemos ficar numa gangorra — afirmou o presidente, destacando a importância de equilíbrio nas decisões econômicas.
Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, o nível mais alto desde 2006. Lula disse que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado por ele, tem plena consciência de que os juros estão elevados e que é necessário reduzi-los com atenção ao momento certo.
— Não vou falar mal do Galípolo publicamente. Ele sabe que a taxa está alta, eu sei, todo mundo sabe. O que importa é definir o momento certo para baixar, mantendo o controle da inflação, que já caiu pela metade desde que assumimos — explicou Lula.
No final de agosto, Galípolo já havia destacado que a inflação ainda está convergindo lentamente para a meta, o que exige manter a taxa de juros em patamar elevado por algum tempo. Segundo ele, a política monetária mais restritiva é necessária para garantir estabilidade e evitar que a meta de inflação seja descumprida.
— A convergência é lenta, por isso a política monetária precisa permanecer restritiva por enquanto — disse Galípolo na abertura do Congresso e Expo Fenabrave, em São Paulo.
O Palácio do Planalto reforça que o objetivo é encontrar um equilíbrio entre crescimento econômico e controle da inflação, e que a redução gradual da Selic será feita com planejamento e responsabilidade.