
Lindbergh Farias pede ao STF investigação contra Cláudio Castro
Deputado acusa governador de transformar megaoperação no Rio em massacre político e solicita afastamento imediato
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), acionou nesta quarta-feira (29/10) o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a abertura de um inquérito contra o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Além disso, o parlamentar solicitou o afastamento imediato de Castro, alegando que o governador teria cometido crimes no contexto da megaoperação realizada na terça-feira (28/10), que resultou na morte de pelo menos 119 pessoas, incluindo quatro policiais.
No pedido, Lindbergh solicita que o STF investigue crimes como homicídio doloso por dolo eventual, corrupção passiva, prevaricação, abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
O deputado denuncia que Castro autorizou a operação ciente do altíssimo risco e da letalidade previsível, transformando as comunidades em palco de uma demonstração política de força. “O resultado foi um massacre de proporções históricas, expressão extrema de um projeto de poder que usa a morte como instrumento de governo”, afirmou Lindbergh.
Além disso, o parlamentar associa a megaoperação à repressão simbólica contra a Refinaria de Petróleo de Manguinhos (Refit), que havia sido interditada em setembro por suspeitas de irregularidades – denúncias que a empresa nega. Segundo Lindbergh, a ação desta terça-feira foi concebida e executada sem qualquer coordenação com o Ministério da Justiça ou órgãos de inteligência, assumindo um claro caráter de retaliação.
O deputado também pediu que o Ministério Público do Rio e o Tribunal de Contas do Estado prestem informações ao STF sobre contratos, benefícios fiscais ou renegociações de dívidas envolvendo a Refit, e solicitou a quebra de sigilos fiscal, bancário e telefônico de Castro e dos administradores da refinaria.
Mais cedo, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que o governador e integrantes das forças de segurança prestassem esclarecimentos sobre a operação em audiência marcada para o dia 3 de novembro, no âmbito da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, criada para regular o uso da força em operações policiais e conter a escalada de mortes nas comunidades.
O episódio reforça a urgência de responsabilizar quem transforma políticas de segurança em instrumentos de violência e retaliação, e mostra, mais uma vez, o deputado recorrendo ao STF diante da gravidade da situação.