Lindbergh transforma adesivo em caso de Estado — e vira motivo de chacota política

Lindbergh transforma adesivo em caso de Estado — e vira motivo de chacota política

Enquanto Lula foi exaltado até em escola de samba sem escândalo algum, deputado corre ao TSE por causa de um adesivo e força a barra da ironia

Se a política brasileira já flerta diariamente com o absurdo, Lindbergh Farias decidiu dar mais um passo rumo ao ridículo. O deputado resolveu acionar o Tribunal Superior Eleitoral por causa de um… adesivo. Sim, um simples adesivo colado em vídeo nas redes sociais virou, na visão dele, uma ameaça grave à democracia.

O alvo da indignação seletiva é o senador Flávio Bolsonaro, após a divulgação de uma gravação em que o ex-ministro Gilson Machado aparece colando adesivos com a frase “O Nordeste está com Flávio Bolsonaro 2026”, acompanhada da empolgação típica de militância política. Para Lindbergh, isso já seria campanha antecipada — um crime quase eleitoral digno de sirenes e alarme geral.

O curioso — para não dizer hipócrita — é que o mesmo rigor não apareceu quando Lula foi celebrado em escola de samba, exaltado em verso, fantasia e desfile, em pleno ano eleitoral. Aí, tudo bem. Aí, silêncio. Aí, manifestação cultural.

Segundo Lindbergh, o vídeo “ultrapassa a livre manifestação política” e entra no terreno da propaganda ilegal, ignorando convenientemente que a legislação eleitoral sempre foi interpretada com elasticidade quando convém a certos lados do tabuleiro político.

Na ação, o deputado pede a remoção imediata do vídeo, a proibição de novas publicações semelhantes e uma multa diária de R$ 10 mil. Tudo isso por um adesivo. Um adesivo. Fica difícil saber se é zelo jurídico extremo ou apenas desespero político disfarçado de preocupação institucional.

No fim das contas, a cena é constrangedora: enquanto o país enfrenta problemas reais, um deputado escolhe travar guerra judicial contra cola e papel. Ou Lindbergh perdeu completamente a noção do razoável — ou acredita, de fato, que o eleitor brasileiro é tão ingênuo quanto a tese que ele tenta vender.

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