Nem a PGR comprou a tese: Moraes arquiva inquérito e desmonta narrativa contra Zambelli

Nem a PGR comprou a tese: Moraes arquiva inquérito e desmonta narrativa contra Zambelli

Mesmo sob perseguição incessante, ex-deputada não teve nova acusação sustentada — faltou prova, sobrou abuso

Em meio a uma sequência que mais parece uma maratona de perseguições, Carla Zambelli teve ao menos um ponto de respiro: o ministro Alexandre de Moraes decidiu arquivar o inquérito que tentava imputar a ela uma suposta obstrução de Justiça pela saída do país.

O detalhe incômodo para quem insiste em criminalizar cada passo da ex-parlamentar é simples e objetivo: a própria Procuradoria-Geral da República afirmou não haver qualquer elemento jurídico que justificasse a abertura de mais um processo criminal. Traduzindo: não havia prova, não havia crime, não havia caso.

Ainda assim, Zambelli seguiu sendo tratada como culpada antes de qualquer análise equilibrada. O inquérito tentava ligar sua saída do Brasil ao processo que tratou da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, episódio pelo qual ela já havia sido condenada. Mesmo assim, parecia haver uma necessidade quase obsessiva de empilhar acusações — ainda que vazias.

A decisão de arquivamento escancara um ponto que muitos fingem não ver: há limites legais, e nem mesmo o ambiente político mais carregado permite ignorá-los indefinidamente. Quando até o órgão acusador recusa a denúncia, insistir vira perseguição, não Justiça.

Zambelli deixou o Brasil semanas após a condenação e acabou incluída na difusão vermelha da Interpol, sendo presa posteriormente na Itália. Desde então, cada movimento seu foi interpretado sempre pelo pior ângulo possível, como se a culpa tivesse se tornado um dogma — e não uma conclusão jurídica.

No plano político, o cerco também se fechou. A Câmara dos Deputados chegou a votar contra a cassação de seu mandato, decisão depois anulada sob o argumento de que a perda do cargo seria automática. Diante da pressão institucional e do desgaste crescente, Zambelli acabou renunciando.

Hoje, presa na Itália, ela aguarda a análise do pedido de extradição enquanto vê, à distância, a confirmação de algo que seus apoiadores repetem há tempos: nem toda acusação vira processo, nem todo discurso vira prova, e nem toda narrativa resiste quando confrontada com o mínimo de legalidade.

O arquivamento do inquérito não apaga o caso, mas desmonta a tentativa de esticar a corda até onde a lei já não alcança. Quando a Justiça precisa forçar argumentos, o problema deixa de ser o réu — e passa a ser o método.

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