
Lula abre cofres das estatais para bancar artistas pelo Nordeste
Enquanto falta dinheiro para saúde e segurança, governo injeta milhões via Lei Rouanet para projetos culturais
Mais uma vez, o governo Lula mostra suas prioridades: despejar dinheiro público para financiar projetos culturais através da Lei Rouanet, agora sob o rótulo “Rouanet Nordeste”. A Petrobras e a Transpetro, ambas estatais, vão investir R$ 12 milhões nessa iniciativa, que ao todo soma R$ 40 milhões em recursos — dinheiro que sai do bolso do contribuinte para alimentar um setor que já vive historicamente de incentivos e patrocínios generosos.
O lançamento aconteceu no Centro Cultural do Cariri, no Ceará, com pompa, discursos e fotos. No pacote, estão contemplados projetos em todos os estados do Nordeste, além de cidades do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. O discurso oficial fala em “democratização do investimento cultural” e “fortalecimento da identidade brasileira”, mas, na prática, repete a velha fórmula de usar empresas públicas como patrocinadoras de eventos e artistas escolhidos a dedo.
Não bastasse, o Ministério da Cultura já soma outras parcerias com Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal e outras estatais, sempre com o mesmo argumento: “cultura é desenvolvimento”. Enquanto isso, hospitais carecem de equipamentos, escolas sofrem com estruturas precárias e a violência cresce sem controle.
O presidente da Transpetro exaltou o projeto como “poder transformador da cultura”, e a ministra Margareth Menezes comemorou o que chamou de “o maior edital desde 2023”. Mas para a população que enfrenta filas no SUS, transporte caótico e insegurança nas ruas, essa generosidade seletiva soa como deboche.
Ao final, a cortina se fecha com promessas de capacitação de agentes culturais e cursos pagos com mais dinheiro público. A narrativa é bonita, mas a pergunta permanece: até quando o governo vai tratar cultura como prioridade absoluta, enquanto o básico para o povo continua sendo luxo?