
Lula aconselha Trump a evitar confronto com a Venezuela
Durante encontro na Malásia, presidente brasileiro pede diálogo e alerta para riscos de nova escalada na região
Durante a reunião deste domingo (26) entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada em Kuala Lumpur, na Malásia, um dos temas mais delicados entrou discretamente na pauta: a tensão crescente entre os Estados Unidos e a Venezuela.
Segundo fontes próximas à comitiva brasileira, Lula sugeriu a Trump que busque uma solução diplomática para o impasse com Caracas, evitando medidas que possam acirrar ainda mais a instabilidade na América Latina. O presidente brasileiro teria destacado que “nenhum país se fortalece com guerra ou sanções”, defendendo o diálogo como caminho para a reconstrução das relações regionais.
Trump ouviu o conselho com atenção, mas não sinalizou mudança imediata na postura americana. O republicano tem endurecido o discurso contra o governo venezuelano, e parte de sua equipe vê o tema como ponto estratégico de sua política externa.
Para Lula, no entanto, qualquer movimento mais agressivo contra a Venezuela poderia gerar impactos humanitários e econômicos diretos sobre os países vizinhos, incluindo o Brasil, que já enfrenta fluxos migratórios significativos vindos do país.
Entre as pautas centrais do encontro, além da crise venezuelana, estiveram as tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros e as sanções contra autoridades nacionais. Mesmo assim, o tom da conversa foi descrito por assessores como “cordial, mas firme”, com o brasileiro tentando equilibrar a diplomacia com sua conhecida franqueza.
O episódio mostrou que, mesmo diante de divergências profundas, Lula tenta se posicionar como mediador entre potências — apostando que a palavra ainda pode mais que a provocação.