Trump elogia Bolsonaro e deixa Lula visivelmente desconfortável

Trump elogia Bolsonaro e deixa Lula visivelmente desconfortável

Eduardo Bolsonaro ironiza reação do presidente e diz que o tema “claramente o incomoda”

O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado neste domingo (26) na Malásia, teve um momento que roubou a cena — e não foi sobre tarifas ou acordos bilaterais. Quando questionado por jornalistas sobre Jair Bolsonaro, Trump respondeu com naturalidade:
“Eu sempre gostei dele. Me senti mal com o que aconteceu. Sempre o considerei um negociador duro. Ele está passando por muita coisa.”

A fala foi suficiente para congelar o semblante de Lula e acender os comentários de Eduardo Bolsonaro (PL), que não perdeu tempo em ironizar a situação nas redes sociais. “Lula encontra Trump e o assunto que claramente o incomoda aparece na mesa: Bolsonaro. Imagine o que foi dito a portas fechadas?”, escreveu o deputado.

Desde fevereiro nos Estados Unidos, Eduardo tenta convencer autoridades americanas a aplicar sanções contra membros do governo e do Judiciário brasileiros — e, ao mesmo tempo, busca minimizar qualquer aproximação entre Trump e Lula. Em outro post, afirmou que o americano e seu pai compartilham um “laço de empatia”: “Trump consegue se colocar no lugar de Bolsonaro e sabe que, quando deixar o poder, pode enfrentar o mesmo tipo de perseguição”.

Diplomacia sob tensão

Apesar do constrangimento, Lula tentou manter o tom diplomático. Declarou que o Brasil busca uma “relação extraordinária” com os Estados Unidos e que não há motivos para desavenças. “Quando dois presidentes sentam e colocam seus pontos de vista, a tendência é avançar rumo a um acordo”, afirmou.

Trump, por sua vez, disse ter “respeito” por Lula e pelo Brasil, mas negou que as tarifas de 50% impostas sobre produtos brasileiros sejam injustas. O americano sinalizou que ambos os países podem chegar a “bons acordos”, embora sem detalhar possíveis concessões.

Durante o encontro, que durou cerca de uma hora, Lula também levou ao debate as sanções aplicadas por Washington a autoridades brasileiras — entre elas, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, Viviane Barci, alvo de bloqueios financeiros com base na Lei Magnitsky.

Clima ameno, mas conversa dura

De acordo com o chanceler Mauro Vieira, o saldo da conversa foi “muito positivo e produtivo”. Ele afirmou que as equipes de ambos os governos se reuniriam ainda neste domingo para dar sequência às negociações bilaterais. “Foi uma conversa descontraída, até alegre”, afirmou.

Vieira contou que Trump elogiou a trajetória política de Lula e manifestou vontade de visitar o Brasil em breve — convite que o petista retribuiu, prometendo ir aos Estados Unidos “com prazer”.

Mesmo com sorrisos para as câmeras, o encontro deixou claro que, entre gestos diplomáticos e frases ensaiadas, o nome de Bolsonaro ainda ronda o Planalto — como uma sombra incômoda que insiste em não sair da sala.

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