
Lula acusa Nikolas de defender crime organizado, mas esquece o próprio passado de conivência
Presidente tenta culpar deputado por fake news do Pix, enquanto seu governo já rejeitou classificar o PCC como grupo terrorista, defendeu “saidinha” de presos e até discursou sobre a “dignidade” de criminosos
Em mais uma demonstração de cinismo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) de ter usado “fake news” sobre o Pix para, supostamente, defender o crime organizado. A declaração foi feita nesta sexta-feira (29), em entrevista à rádio Itatiaia, onde Lula insinuou que críticas do deputado às regras de fiscalização da Receita Federal teriam facilitado a vida do PCC.
Mas a memória do presidente parece muito curta. Afinal, foi o próprio Lula que, ainda em seus primeiros mandatos, recusou a proposta do governo Trump para que o Brasil classificasse o PCC como organização terrorista. Mais recentemente, é também um ministro de sua gestão que defende a “saidinha” de presos, alegando superlotação carcerária, e outro que declarou em entrevista que até bandido tem “dignidade” — como se o foco da segurança pública fosse massagear o ego de criminosos e não proteger a população.
É no mínimo contraditório que Lula tente colocar Nikolas como cúmplice do crime organizado, quando quem flexibiliza leis, alivia punições e oferece brechas para facções crescerem é justamente o governo do PT. A mesma gestão que hoje posa de “linha dura” contra o PCC já deu inúmeros sinais de tolerância com práticas que fortalecem o crime.
A acusação de Lula surge no contexto da Operação Carbono Oculto, que revelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis, movimentando cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. O presidente, em vez de assumir as falhas históricas do Estado em enfrentar o problema, preferiu atacar um parlamentar de oposição, desviando o debate e transformando a segurança pública em palanque político.