
PT acusa Nikolas de fortalecer o PCC com fake news sobre Pix
Lindbergh Farias diz que vídeo do deputado derrubou regra da Receita e acabou favorecendo esquema de lavagem da facção
O debate político nas redes sociais ganhou mais um capítulo pesado nesta sexta-feira (29). O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, gravou um vídeo acusando o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) de ter dado munição ao PCC ao espalhar desinformação sobre o Pix no início do ano.
A fala de Lindbergh veio logo após um comentário do secretário da Receita Federal, Robisson Barreirinhas, durante coletiva sobre a operação Carbono Oculto. Segundo ele, a onda de mentiras sobre uma suposta “taxação do Pix” fez o governo recuar de uma medida que obrigaria fintechs da Faria Lima a prestar contas como bancos — justamente as empresas agora investigadas por lavar dinheiro para o crime organizado.
O episódio, que parecia apenas mais uma guerra de narrativas entre governo e oposição, ganhou contornos mais graves. Lindbergh afirma que o vídeo viral de Nikolas não só enfraqueceu o governo Lula, mas abriu brechas para que o PCC fortalecesse sua engrenagem financeira.
“Eu já tinha alertado em fevereiro: aquela campanha de fake news não era só contra o governo, podia ser também para proteger organizações criminosas”, disparou o petista.
A bancada do PT, por meio do deputado Rogério Correia, já encaminhou notícia-crime contra Nikolas à Procuradoria-Geral da República, pedindo investigação por divulgação de informações falsas, lavagem de dinheiro e ligação indireta com organização criminosa.
Do lado dos militantes pró-governo, influenciadores de esquerda ajudaram a impulsionar a denúncia em grupos de WhatsApp e redes sociais, descrevendo Nikolas como alguém que, “ao mentir sobre o Pix, acabou ajudando uma das maiores facções criminosas do país”.
O próprio presidente Lula entrou no debate. Em entrevista à Rádio Itatiaia, sem citar nomes, disse que “um deputado fez campanha contra as mudanças da Receita” e que agora “está provado que o que ele defendia servia ao crime organizado”.
Já no campo bolsonarista, a defesa foi imediata. Aliados como Rubinho Nunes (União Brasil) e Deltan Dallagnol (Novo-PR) classificaram as acusações como cortina de fumaça, acusando o governo de “criar um bode expiatório” e de tentar usar a operação como desculpa para retomar o debate sobre controle do Pix.
Entre acusações, vídeos e contra-ataques, a disputa deixou de ser apenas política e passou a tocar no coração de um tema sensível: até que ponto a guerra de narrativas na internet pode, de fato, fortalecer o crime organizado?