
Lula amplia isenção do IR para quem ganha até dois salários mínimos — e a conta vai para o bolso do povo, claro
Enquanto o governo comemora renúncia fiscal bilionária, brasileiros de renda baixa ganham um alívio modesto — afinal, nada como um reajuste tímido para tapar o sol com a peneira.
O presidente Lula sancionou nesta terça-feira (12) uma lei que aumenta a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até dois salários mínimos — ou seja, quem ganha até R$ 2.428,80 mensais, mais do que os modestos R$ 2.259,20 de antes. Essa mudança já estava funcionando desde abril graças a uma medida provisória, mas agora ganhou o carimbo oficial do Congresso.
O reajuste acompanha o aumento do salário mínimo, que subiu R$ 106 no começo do ano, passando de R$ 1.412 para R$ 1.518. Tudo para evitar que o trabalhador — que mal sente o peso do imposto — perca a pouca isenção que tinha por conta da inflação e da demora na atualização das tabelas.
Claro que a “generosidade” tem seu preço: o governo estima uma renúncia fiscal de R$ 3,29 bilhões só em 2025, dinheiro que deixa de entrar nos cofres públicos e que, de alguma forma, terá que ser compensado — provavelmente no bolso do contribuinte médio, que não está na lista da isenção.
E não para por aí. Existe um projeto ainda mais ambicioso, que quer aumentar a isenção para quem ganha até R$ 5 mil. Mas essa ideia está emperrada na Câmara, porque tem gente preocupada com o impacto nas contas públicas — sabe como é, o dinheiro não cresce em árvore.
Enquanto isso, a turma que ganha acima dessa faixa pode ir se preparando para continuar pagando imposto, porque aumentar a isenção para todos não parece estar no cardápio. No final, a sensação é que a “ajuda” para o trabalhador de baixa renda é mais um gesto simbólico para aliviar o discurso do que uma mudança que realmente faça diferença no orçamento da maioria.
E assim, seguimos no ciclo clássico da política fiscal brasileira: ajustes tímidos, renúncias bilionárias, promessas e aquela velha sensação de que a conta sempre vai cair na mesa do cidadão comum. Ironia, né?