Lula banca Haddad e sustenta alta do IOF: “Não dá pra recuar toda hora”

Lula banca Haddad e sustenta alta do IOF: “Não dá pra recuar toda hora”

Presidente defende reajuste no imposto como forma de compensar gastos públicos, mesmo sob pressão do Congresso e críticas dentro da própria base

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do decreto que elevou a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), publicado na semana passada. A medida, que visa taxar operações de bancos, fintechs e casas de apostas online, virou novo foco de tensão entre o governo e a Câmara dos Deputados.

Durante entrevista ao podcast Mano a Mano, Lula afirmou que o governo precisa manter sua coerência diante das pressões do Congresso:

“O Haddad quer que bancos, fintechs e as bets contribuam um pouco. Toda vez que se rompe o teto fiscal, a gente tem que cortar do Orçamento. O IOF serve justamente pra compensar isso. Essa briga a gente tem que comprar. Não dá pra ceder toda hora.”

A declaração de Lula foi gravada no domingo anterior à votação de urgência da Câmara, que aconteceu na segunda-feira (17). O movimento dos deputados — inclusive de parte da base aliada — foi uma tentativa de acelerar a tramitação do projeto que visa anular o decreto do IOF, pulando etapas e levando o texto diretamente ao plenário.

O episódio marca mais um capítulo da turbulência que ronda o pacote fiscal de Haddad. Desde o anúncio do aumento do imposto, o governo já publicou três decretos distintos sobre o tema. O primeiro, de 22 de maio, aumentava a tributação sobre diversas operações financeiras. Horas depois, o Planalto recuou parcialmente, retirando a taxação sobre envio de recursos para o exterior.

Na semana seguinte, diante da forte reação de setores do mercado e do Legislativo, o Ministério da Fazenda publicou uma nova versão do decreto, reduzindo as alíquotas inicialmente previstas. Com isso, a expectativa de arrecadação também caiu: de R$ 19,1 bilhões, o valor foi reestimado para algo entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões em 2025.

Apesar do recuo parcial, Lula reforçou a importância de manter a medida como parte da estratégia fiscal do governo. A batalha agora se transfere para o plenário da Câmara, onde o mérito do projeto ainda será analisado.

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